Jogar feio e ganhar, vale?
Leia a Coluna desta terça-feira (22)
O tema comporta debates. As opiniões dos comentaristas variam muito. Ouvi vários deles a respeito do assunto. Há os que analisam pelo resultado, ou seja, se o time estava precisando vencer, pouco importa que a vitória venha pelo caminho de um jogo ruim. Vale a soma dos três pontos.
Há os que não abrem mão do jogo bem jogado. Tudo bem. A vitória que vem pelo produto de uma bela exibição consagra. Convence pela superioridade. Não deixe dúvidas. Tem o reconhecimento do público, da crônica e do próprio adversário. É melhor assim.
Há dias em que um time não joga nada, mas vence. Caracteriza-se uma injustiça ao que jogou bem e perdeu. Futebol é jogo. O nome diz tudo. O jogo está sujeito ao dia de sorte ou de azar. Há momentos em que tudo dá certo somente para um lado só. Aí, não adianta continuar.
Sim, é melhor jogar feio e ganhar? Depende das circunstâncias. Quando no desespero, o importante é faturar três pontos. A beleza da arte fica para depois. Exibição tem hora...
Observação
A vitória do Fortaleza sobre o Londrina merece uma reflexão. O Leão jogou muito mal, mas venceu. Então, mesmo jogando mal, subiu para o segundo lugar, que garante classificação direta para a Série A. Excepcionalmente, entendo ser válida uma vitória assim.
Sou contra
Não admito tocar o barco, entendendo como satisfatório o triunfo da ruindade. Além disso, quem segue jogando mal dificilmente prosperará. Logo encontrará a realidade dos fatos, máxime diante dos que jogam bem. A tendência natural é a vitória dos bons, que somente em situações excepcionais perdem.
Normal
De vez em quando, faz parte das disputas a vitória de quem jogou mal. Acontece. Mas é uma exceção. A rigor, predomina a vitória de quem é superior, de quem joga bem, de quem busca, de quem quer, de quem tem objetivo, de quem tem compromisso com a qualidade e eficiência. É bom que seja assim.
Aliança
É bom quando há uma aliança entre o jogar bem e o triunfar. Uma coisa como consequência da outra. A Seleção Brasileira, tricampeã do mundo na Copa de 1970 no México, é um exemplo de aliança dessa natureza. Cito também a Espanha do tiki-taka, campeã da Copa de 2010.
Conclusão
É bonito ver a superioridade dos que sabem se impor pela vitória como resultado do jogar bem. Somente em momentos excepcionais, deve haver a aceitação do jogo ruim como triunfador. No geral, quem joga ruim deve sempre perder. Mas, se fosse assim, não seria jogo...