Há algo de podre no reino do futebol
Leia a Coluna desta sexta-feira (8)
Quando um time, que vai bem, começa a perder de repente, algo negativo está acontecendo nos bastidores. E, somente tempos depois, é que as verdadeiras causas são reveladas. Pode haver exceção à regra, mas geralmente é assim que acontece. Não por acaso aconteceu com o Fortaleza e com o Ceará.
Ninguém, a princípio, entendeu a razão pela qual o Leão de Aço, quarto colocado na Série A de 2024, iniciou uma inexplicável viagem de volta. Implodiu sem explicações iniciais. Depois as divergências foram expostas. E assim o Leão viu a saída do técnico Vojvoda e do CEO, Marcelo Paz. Havia crise nos bastidores.
O Ceará, que também estava na Série A nacional em 2025, foi caindo lentamente, jogo por jogo, até sucumbir de vez na última rodada. Por trás da campanha em declínio, já havia a crise interna, que agora se acentua, máxime após a comprovação de uma dívida de R$ 85 milhões.
Dificilmente, um time com sólida base financeira desaba. Quando há dinheiro farto, os bons resultados em campo logo aparecem. Quando os bons resultados desaparecem, desconfie: “Há algo de podre no reino da Dinamarca.”
Desunião
Quando o time cai, sobem à tona os verdadeiros fatos motivadores da desclassificação. Geralmente, há bate-boca, que não leva a nada, mas serve para aclarar questões obscuras. Algumas delas fora do alcance da mídia. Nem o Ceará nem o Fortaleza viviam a solidez e serenidade que, na época, pareciam ter.
Passagem
A recuperação das equipes, após a queda, é dolorosa, muito difícil. A restauração financeira é complicada. A adaptação às receitas menores da Série B requer muita habilidade e jogo de cintura. Por isso mesmo, algumas equipes não conseguem retornar de imediato à Série A. É complicado.
Vitórias
As vitórias encobrem os defeitos. As derrotas evidenciam os estresses. Independentemente dos resultados, cabe ao dirigente saber a hora exata da correção de rumo. No momento, Ceará e Fortaleza têm de manter o foco na Série B. Prioridade absoluta. É a principal missão.
Caminhos
Quem chegou a disputar competições internacionais, como a Copa Sul-Americana e a Copa Libertadores da América, não pode admitir a permanência na segunda divisão do futebol brasileiro. Fortaleza e Ceará conhecem muito bem os caminhos da ascensão. Não há segredos.
Bate e volta
Há também uma coisa que incomoda: a subida e a descida imediata. Vejam a situação da Chapecoense e do Remo. Após uma brilhante ascensão para a Série A no ano passado, já agora passam por um terrível sufoco: a Chape na lanterna e o Remo na vice-lanterna. Só é bom subir com consistência para permanecer na elite.