Futebol cearense: o retorno às origens
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O Campeonato Cearense, o Manjadinho, volta ao destaque. Tem seu charme próprio. A disputa deste ano apresenta desafios bem interessantes. O Ceará busca o tricampeonato. O Fortaleza busca a retomada da hegemonia. Há 30 anos, apenas esses dois rivais têm ficado com o título estadual.
A bola volta a rolar no dia 06 de janeiro. Faltam três dias. A abertura será Maracanã x Ferroviário. No dia seguinte, dia 7: Horizonte x Quixadá e Tirol X Floresta. No dia 10, acontece a estreia do Ceará, que enfrenta o Floresta. E, no dia 11, a estreia do Fortaleza, que enfrenta o Ferroviário.
O Campeonato Cearense tem a força da tradição. É a história. O começo de tudo. Do Passeio Público ao Campo do Prado. Do PV ao Castelão. Cenários que marcaram um tempo de muito esforço, bravura e dedicação dos dirigentes. Muitos tiraram dinheiro do próprio bolso para a manutenção dos sonhos.
Hoje, o certame estadual tem passado por uma redução no tempo de duração. Virou tiro curto. Ainda assim, tem seu encanto próprio. Não por acaso, mantém-se vivo e pujante, resistindo bravamente às mudanças dos novos tempos.
30 anos
É incrível: de 1996 a 2025, apenas Ceará e Fortaleza ganharam o Campeonato Cearense. O Leão ganhou 16 títulos (2000, 2001, 2003, 2004, 2005, 2007, 2008, 2009, 2010, 2015, 2016, 2019, 2020, 2021, 2022 e 2023). O Ceará ganhou 14 títulos: 1996, 1997, 1998, 1999, 2002, 2006, 2011, 2012, 2013, 2014, 2017, 2018, 2024 e 2025.
Ausências
A participação de clubes do interior na Série A do Campeonato Cearense está reduzida à presença apenas de dois clubes: Quixadá e Iguatu. Lamentavelmente, polos importantes como Juazeiro do Norte e Sobral estão fora. Time tradicionais como Icasa, Guarani de Juazeiro e Guarany de Sobral não conseguiram a classificação.
Interiorização
É preciso trazer de volta a força do futebol interiorano. Já participaram do Campeonato Cearense: Limoeiro, Russas, Boa Viagem, Crateús, Crato, São Benedito, Trairi, Uruburetama, Itapipoca, Itapajé, Juazeiro do Norte e Barbalha. Hoje, do interior, apenas estão presentes Quixadá e Iguatu.
Concentração
Há uma nítida concentração na Capital e região metropolitana: Ceará, Fortaleza, Ferroviário, Floresta, Tirol, Horizonte, Maranguape e Maracanã. Cada vez mais fragilizada está a interiorização. É preciso haver um equilíbrio entre clubes da capital e do interior.
Conclusão
O Campeonato Cearense volta ao cartaz. Por questões afetivas, gosto dos certames estaduais. Foram a origem de tudo. Por ele desfilaram notáveis craques, que deixaram a marca de seus talentos. Lembrança de meu primeiro ídolo no futebol: o goleiro do Ceará, Ivan Roriz, em 1956. É a força de uma história.