Fim de Copa do Mundo: adeus às ilusões
Leia a coluna de Tom Barros
A Seleção Brasileira ficou fora do baile de gala, a grande final. Bem mais cedo, a Canarinho foi mandada de volta para casa. O sonho foi desfeito pelos vikings da Noruega. Um senhor grandão, alto e forte, batizado de Erling Haaland, acabou com os sonhos do hexa.
A rigor, ele não acabou com os sonhos brasileiros. Apenas os adiou. Os sonhos do hexa continuarão. Estão projetados agora para 2030. Daqui até lá, um longo caminho. Uma nova geração. Novos métodos de preparação. Já passou da hora de descartar um modelo que há 24 anos não vem dando certo.
O adeus às ilusões começou bem antes de o atacante Haaland decretar a eliminação da Seleção Brasileira. O empate (1 x 1) na estreia com o Marrocos foi o passo inicial de uma série de frustrações. Só Deus sabe como Vini Jr conseguiu aquele gol que evitou uma vergonha maior logo na estreia.
O mais importante foi o brasileiro, humildemente, reconhecer as suas limitações. Longe os tempos dos grandes ídolos Garrincha e Pelé, Tostão e Rivelino, Romário e Bebeto, Ronaldão e Ronaldinho. O mundo mudou...
Equívoco
Eu não sei a razão pela qual a CBF entendeu que os treinadores brasileiros estavam ultrapassados. Amigos, o problema nunca foi treinador. O problema é a carência de craques de verdade. Craques que façam a diferença. O problema está em campo e não à beira do gramado.
Liderança
Também há uma carência de líderes. Quando o Brasil ganhou a Copa de 1958, o capitão era um líder nato: Hideraldo Luiz Bellini. Ele tinha ascendência sobre todos os demais. Exercia autoridade. Sabia se impor. Na atual seleção, faltou um líder como Bellini.
Combate
Na atual seleção faltou um jogador de garra, de combate, como o volante Dunga. Este, sim, injustiçado pela grande maioria da crônica esportiva brasileira. Dunga foi valente, combativo. Um capitão com moral, com liderança. Muito do tetra de 1994 se deve ao seu espírito guerreiro.
Arte e raça
Uma seleção para ser perfeita precisa de craques, mas precisa também de jogadores combativos, autênticos guerreiros. Uma mistura de arte e raça, talento e fibra, compromisso e verdade. É preciso voltar ao tempo em que os jogadores tinham orgulho de vestir o manto amarelo.
Conclusão
Terminada a Copa do Mundo, restou uma certeza: é preciso mudar tudo no futebol brasileiro. Queira Deus que o senhor Carlo Ancelotti consiga fazer na Seleção Brasileira o que fez nos grandes times que comandou, ou seja, trazer de volta a magia e o encanto. E a concretização do sonho do hexa.