Estranha mudança no regulamento da Série B nacional
Confira a coluna deste domingo (8) do comentarista Tom Barros
Durante muitos anos houve uma luta para que a meritocracia prevalecesse no futebol brasileiro, através da implantação do sistema de pontos corridos. Antes, imperava uma verdadeira bagunça, inclusive com a interferência de políticos e de partidos na indicação de times participantes.
O ponto culminante aconteceu em 1979, quando 92 clubes participaram da Série A. Na primeira fase, 80 clubes. Na segunda fase, mais 12 clubes, que se somariam aos 44 classificados da primeira fase. Ficavam então 56 clubes na sequência da competição. Uma avacalhação total.
Na época, a CBD (hoje CBF) era comandada pelo presidente Heleno Nunes, que tinha sido dirigente da Arena, partido político do governo ditatorial. Por interesse político, ele resolveu convidar clubes onde a situação do governo era desfavorável. Inchou a competição.
Daí a gozação que virou uma frase de grande repercussão: “Onde a Arena vai mal, mais um time no Nacional. Onde vai bem, outro também”. E assim um ridículo regulamento, que tinha a indevida influência de lideranças políticas.
Moralização
O Campeonato Brasileiro ganhou credibilidade, quando adotou o sistema de pontos corridos. E manteve os critérios para rebaixamento e ascensão, mesmo que algum time grande estivesse entre os quatro últimos colocados. Assim, vimos grandes equipes desceram para a segundona nacional. Nada de privilégios.
Esquisito
Agora a CBF, por iniciativa dos clubes, resolveu fazer na Série B nacional uma mudança que considero inaceitável porque joga na lata do lixo a meritocracia. Um verdadeiro absurdo. Envia para um mata-mata o terceiro e o quarto colocados que, no sistema anterior, já teriam conseguido automaticamente a ascensão.
Síntese
Os dois (5º e 6º), que não tiveram mérito para alcançar uma vaga entre os quatro melhores, poderão subir para a Série A, caso vençam o mata-mata. É tirar o mérito de quem obteve a qualificação e dar uma nova oportunidade a quem mérito não teve. Virou injustiça. É inaceitável.
Escusos
Não entendi ainda o que há por trás dessa proposta, que representa um retrocesso ostensivo, desavergonhado, contra a meritocracia. Alegam que tal fato tornará mais atrativa a Série B. Penso diferente: vejo a ganância por novos lucros em quatro partidas a mais.
Conclusão
Lamento profundamente a predominância dessa ideia de jerico. A meu juízo, a meritocracia tem de ser a base de toda e qualquer competição. Os arranjos para dar novas oportunidade a quem não teve mérito não pegam bem. Temo que seja um balão de ensaio para futuras mudanças mais reprováveis ainda.