Consequências da desunião no Ceará

Leia a coluna de Tom Barros

Escrito por
Tom Barros producaodiario@svm.com.br
Legenda: Torcida organizada 'Cearamor' protesta em Porangabuçu
Foto: Reprodução/Instagram Cearamor

As desavenças são e sempre serão o principal motivo da queda de produção de uma equipe. Quando a situação e a oposição aceleram os motores das discordâncias, podem preparar a ladeira porque o declínio vem junto. Não por acaso a posição do Ceará reflete algo semelhante à colocação aqui exposta. 

O saudoso presidente do Ceará, o do tetra de 1978, Eulino Oliveira, dizia sempre: “O Ceará unido dificilmente perde uma competição.” Sábia palavra de quem conhecia bem o seu eleitorado. Não raro, ele teve de erguer a bandeira branca para acalmar as alas dissidentes. E assim presidiu as campanhas de vários títulos. 

Não consigo entender certas coisas do futebol. Dirigentes do mesmo clube em brigas ostensivas. Ficam se digladiando mais do que lutadores de MMA. É bíblico: “Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado; e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá (Mateus, 12:25).” 

Observem bem o que vem acontecendo em Porangabussu: primeiro o time caiu da Série A para a Série B. Agora está no despenhadeiro, descendo na direção da Série C. E a briga interna continua. Não é coincidência: é consequência.

Coisa séria

Acabou a “brincadeira”. Reagir no returno requer resultados imediatos, sequência de vitórias dentro e fora de casa. O racha no andar de cima tem desdobramento no andar de baixo. Sai das salas climatizadas do alto comando e entra em campo pelas incompreensões coletivas. É o retrato do Ceará. 

Pressão dupla 

Os jogadores passam a sofrer dupla pressão. A interna, pelas desavenças no setor diretivo, e a externa, já pela cobrança da torcida. Ninguém é bobo no futebol. Os jogadores fazem melhor do que qualquer “meteorologista” a leitura do clima no clube. Não há quem fique indiferente, quando a temperatura sobe. 

Bombeiro 

O conselheiro Castelinho Camurça foi, há alguns anos, o bombeiro que apagou as chamas da fogueira de vaidades em Porangabussu. Hoje, não sei quem poderia acionar os extintores de incêndio existentes no clube. Parece que há mais gente disposta a jogar gasolina onde o fogo já se alastra. Isso é muito ruim.

Sem providências

Na Série A de 2025, o Ceará parecia seguro. Chegou a flertar com a Sula. Depois, iniciou uma gradual perda de posições. Aí foi descendo, descendo, até despencar para a Série B, exatamente na última rodada. Ninguém acionou os freios. Pois estou vendo algo muito semelhante agora. O time está descendo, descendo... 

Juízo

Será que vão deixar o Vozão tropeçar na mesma pedra? Será que vão deixar o Ceará ir perdendo posições até chegar à última rodada? Faltam 19 jogos. Diz o provérbio popular: por falta de um grito se perde uma boiada. Creio que ainda há tempo para a pacificação como pregava o saudoso Eulino Oliveira. Juízo, senhores! 

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