Atraso salarial como causa de rebaixamento

Leia a Coluna deste sábado (29)

Escrito por
Tom Barros tom.barros@svm.com.br
Legenda: Macaca é a 20ª colocada da Série B e está em crise, com salários atrasados
Foto: Divulgação/Ponte Preta

A saúde financeira das equipes pode ser medida pela disposição dos atletas em campo. Dificilmente, time que está em dia com os seus compromissos produz cenário de preguiça. Pode até produzir, mas é exceção. A rigor, time em dia corre, luta, jamais sabe o que é acomodação.  

Eu lembro do Fortaleza na época das grandes conquistas. Foi para a Libertadores. Foi para a Sul-Americana. Duas vezes quarto lugar da Série A nacional. Encarava de igual Palmeiras, Flamengo e todos os demais considerados grandes do futebol brasileiro. O auge mesmo.  

De repente as coisas começaram a andar para trás. Derrotas. Rebaixamento. A verdade veio à tona: dívidas. O time caiu para a segunda divisão. Junto com ele também caiu o Ceará. Igualmente, dívidas. E assim, de dívida em dívida, a realidade é uma só: queda de produção.   

Na medida em que forem colocando as coisas em ordem, tudo voltará gradualmente à normalidade. Não é preciso ser economista para estudar a situação financeira dos clubes: basta observar seus resultados em campo.  

  

Milagres  

  

Ontem escrevi sobre competições que sobrevivem sem patrocínio e com público quase inexistente. Que milagre é esse? Alguém tem que financiar. Alguém tem que bancar. Ainda há um certo amadorismo que sustenta o ideal de muitos. Mas, no mundo profissional, se faltar dinheiro a casa cai. 

  

O Santa Cruz  

  

Alcancei o auge do Santa Cruz de Recife. O Mundão do Arruda, ou seja, o Estádio José do Rego Maciel. O time que tinha Ramón, Givanildo Oliveira e Nunes. Detalhes: Ramon foi artilheiro do Campeonato Brasileiro de 1973. Nunes foi campeão do mundo pelo Flamengo e jogou na Seleção Brasileira. Givanildo jogou na Seleção Brasileira.  

  

Dívidas  

 

Quando o Santa Cruz entrou em crise financeira, a descida foi cruel. O Time foi bater na Série D nacional. Por mais tradição e história que tenha o clube, se enveredar pela desgraça da inadimplência, pode preparar o caminho do sofrimento. Alguns conseguem se reerguer. Outros, nunca.  

  

Exemplo  

  

O Vasco da Gama foi um time de ponta. Quatro títulos de campeão brasileiro. Rival do Flamengo. Quando houve o desarranjo financeiro, nunca mais o Vasco da Gama foi o mesmo. Desceu várias vezes para a Série B. E nunca mais voltou a ser pujante quanto o foi, máxime na era de Roberto Dinamite.  

  

Conclusão  

  

O caminho espaçoso que leva ao rebaixamento é o do atraso salarial. Há raras exceções de casos em que os jogadores se juntaram para salvar a equipe, mesmo com os salários atrasados. O mais comum, porém, é a queda de produção proporcional ao tempo de atraso. 

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