Ancelotti, cuidado com o Haiti!

Confira a coluna desta terça-feira (16) do comentarista Tom Barros

Escrito por
Tom Barros tom.barros@svm.com.br
(Atualizado às 10:20)
Legenda: O italaino Carlo Ancelotti é o técnico da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026
Foto: Pablo Porciuncula / AFP

Interessante a visão de boa parte da crônica esportiva brasileira. Pelo que li e ouvi, são feitas referências à Holanda e ao Japão, que poderão ser adversários do Brasil nas próximas etapas da Copa. Ora, primeiramente a preocupação tem de ser com o Haiti. Com aquele futebol da estreia, meu Deus... 

Se o padrão do Brasil voltar a ser o do primeiro tempo do jogo com o Marrocos, até o Haiti, que é reconhecidamente do terceiro escalão, poderá engrossar o pescoço. Então, antes de pensar na Holanda, no Japão ou em outro possível adversário, é bom concentrar esforços no desafio diante do Haiti. 

Há preocupações com relação ao ataque da Canarinho. Correto. Preocupa mesmo. Mas muito mais preocupante é a meia-cancha. Até o Paquetá estava errando passe de três metros. Quem perde o controle na meia-cancha geralmente também perde o jogo. Cuidado com o Haiti. 

Sou otimista, de carteirinha. Ainda acredito em uma mudança capaz de dar ao Brasil o nível necessário para trazer o hexa. Mudança ousada, corajosa. Resta saber se Ancelotti terá peito para promovê-las. 

Apreensões 

Mesmo otimista, tenho apreensões. O que pensará Ancelotti diante da pressão de agora? Uma coisa é dirigir um time. Outra coisa é dirigir uma seleção que mexe com a vida de um povo, com uma nação inteira. Ou será que ele não tem a dimensão exata da responsabilidade que assumiu? Se fosse o Dunga, o Dorival... 

Série B 

Quando vi o aumento exagerado no número de participantes da Copa do Mundo de 2026, disse que certamente estariam incluídas seleções de baixa qualidade técnica. Seleções que não teriam condições de disputar a Série B do Campeonato Brasileiro. Posso ter exagerado, mas nem tanto.  Vocês estão vendo. 

Amarga lembrança 

Ao ver a goleada que a Alemanha aplicou em Curaçao, 7 x 1, nenhum brasileiro deixou de lembrar a amargura acontecida na Copa de 2014, no Mineirão. Acima desta tragédia, está apenas o Maracanazo de 1950, quando o Brasil perdeu (2 x 1) a final da Copa do Mundo para o Uruguai.  

Alemanha goleada (3 x 8) 

Na Copa de 1954, na fase de Grupos, a Alemanha sofreu uma goleada (8 x 3) aplicada pela Hungria. Reencontraram-se na final. Por isso mesmo a Hungria era tida como favorita absoluta. Mas aconteceu o que ficou registrado na história do futebol como o “Milagre de Berna”, cidade palco da final, na Suíça. A Alemanha ganhou a Copa. 

Alemanha fantástica 

Na final da Copa de 1954, com dez minutos de jogo, a Alemanha já estava perdendo para a Hungria, de Puskas, por 2 a 0. Ora, para quem tinha levado uma goleada na fase de grupos (3 x 8), esperava-se mais uma goleada da Hungria. Mas a Alemanha reagiu. Virou (3 a 2) e foi campeã. Hoje, é a única que pode se igualar ao Brasil com um penta. 

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