Amados treinadores de futebol

Leia a coluna desta sexta-feira (5)

Escrito por
Tom Barros tom.barros@svm.com.br
Legenda: O técnico Mozart estava no Ceará desde o início da temporada de 2026
Foto: Thiago Gadelha / SVM

O Ceará mandou embora o técnico Mozart. Ele estava fazendo um trabalho de renovação, dando oportunidade a jovens vindos das bases. Mas o treinador, seja aqui ou alhures, depende de resultados. E, como outros técnicos antes dele, lá se foi o Mozart. A vida de treinador é assim. 

Foram buscar o técnico Carlo Ancelotti para comandar a Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2026. Chegaram à conclusão de que os treinadores brasileiros estão ultrapassados. Agora é esperar que o homem, detentor de cinco títulos da Champions League, volte campeão. 

Juan Pablo Vojvoda deixou a sua marca como o melhor treinador da história do Fortaleza em todos os tempos. Nem por isso se segurou, quando os resultados do Leão começaram a fracassar. Faz parte. Depois, Vojvoda foi para o Santos, de onde já saiu.  

Viva o saudoso Freitinhas, que por mais de 20 anos foi treinador do Quixadá. Uma marca incrível em um futebol que muda de treinador todo dia. Está certo o cronista esportivo Amadeu Filho, quando diz que Freitinhas é eterno. 

 

Relativo 

 

A comparação entre treinadores é difícil. Quem é o melhor? Depende. Ancelotti, por onde passou, sempre contou com os melhores jogadores do mundo. Verdadeiras seleções. Times que pagam em euro. Materiais leves como plumas. Ancelotti tem seus méritos, claro. Mas as condições sempre ajudaram. 

 

Leite de pedra 

 

O saudoso técnico Freitinhas tirava leite de pedra. Fazia das tripas coração para montar boas equipes. No árido sertão, só faltava fazer chover. Tinha de enfrentar os grandes Fortaleza, Ceará e Ferroviário. E, não raro, obtinha resultados surpreendentes. Ele nasceu em 1934. Morreu em 1988. Um bravo. 

 

Exemplo 

Um dos melhores treinadores, que eu conheci, foi o saudoso Dimas Filgueiras. Na Copa do Brasil de 1994, acompanhei todas as suas preleções, exceto à do jogo diante do Internacional. Dimas era perfeito na leitura do jogo. Só não foi campeão porque um árbitro incompetente prejudicou o Ceará na decisão com o Grêmio em Porto Alegre.  

 

4-3-3 

 

Outro treinador com quem muito aprendi foi o Guri, César Moraes. Ele era defensor intransigente do 4-3-3. Dizia que todos os demais esquemas eram apenas derivações do 4-3-3. Pensando bem, ele tinha as suas razões. Dizia: “Não tem ala que suba, se o adversário tiver pontas habilidosos e velozes.” É fato. 

 

Espaço 

 

Cada um no seu quadrado. Bons são Raimundo Wagner, Washington Luiz, Filinto Holanda, Dema e Mastrillo Veiga, dentre outros, que operam milagres nas dificuldades financeiras e estruturais de modestas equipes. Ancelotti também é bom, ou melhor, excelente, mas não precisa obrar milagre: sempre dispõe de tudo e do melhor.  

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