Ainda sem entusiasmo pela Copa 2026
Leia a coluna desta terça-feira
Sempre fui um empolgado pelas Copas do Mundo. Desde 1958, quando o Brasil conquistou o primeiro título, tenho acompanhado tudo com muito interesse. Mas desta vez, estranhamente, tenho olhado tudo com indiferença. Pode ser que, com a aproximação do evento, venha a redescobrir seus encantos.
Os últimos 24 anos de insucesso da Canarinho esfriaram o coração de quem teve a infância sob o manto glorioso de Pelé, Garrincha e companhia. Inigualáveis. Incomparáveis. Causa-me desconforto ver parte da geração mais jovem afirmando que Pelé e Garrincha não fariam hoje o que fizeram no passado.
Prefiro silenciar diante de tamanha asneira. Se Messi faz, se Cristiano Ronaldo faz, por que Pelé e Garrincha não fariam? Teriam a mesma preparação física de hoje. Usariam os mesmos materiais leves de hoje. Logicamente, renderiam muito mais que os craques de hoje. Sim, porque eram melhores.
Sei que reencontrarei o entusiasmo pelas Copas do Mundo. Questão de tempo. Tudo virá no momento certo. A carência de títulos e badalações em demasia trouxeram-me a frieza que agora experimento.
Figurinhas
Se ainda não me empolguei com a Copa, há algo, relativo ao evento, que me agradou sobremaneira: o álbum de figurinhas. Tal qual antigamente. A procura e as trocas. Pelo menos, por momentos, foram deixadas de lado as práticas digitais. Figurinha, papel, tal qual antigamente.
Primeiro
Em 1956, foi lançado um álbum com todas as seleções estaduais. As fotos dos jogadores da Seleção Cearense faziam parte. Parece que houve um álbum antes, quando do Campeonato Brasileiro de Seleções de 1954, mas não tenho certeza. No de 1956, lembro de fotos do Moésio, Ivan e Pipiu.
Sentimentos
Ainda bem que nem tudo está robotizado. Os sentimentos das crianças de hoje, pelo menos com relação ao atual álbum, são semelhantes aos sentimentos dos velhos tempos. A cada envelope, a expectativa de conter a figurinha mais procurada. Graças a Deus, nem tudo é digital.
Pontos
Em Fortaleza, na Rua General Sampaio, perto da Praça José de Alencar, havia o Cine Rex. Em 1958, o Cine Rex era conhecido local de troca de figurinhas, principalmente antes das sessões matinais de domingo, que começavam às 09 horas da manhã. Lá também era ponto de troca de revistas de quadrinho. Inesquecível.
Conclusão
É claro que me envolverei totalmente com os fatos da Copa de 2026. Sou do ramo. Cobri quatro Copas do Mundo no exterior (1990, Itália; 1994, Estados Unidos; 1998, França; e 2006, Alemanha). Também cobri a Copa de 2014 aqui no Brasil. Tudo vem no tempo de Deus.