Ainda acredito, apesar de tudo

Confira a coluna desta segunda-feira (15) do comentarista Tom Barros

Escrito por
Tom Barros tom.barros@svm.com.br
(Atualizado às 08:56)
Legenda: O atacante Vini Júnior é um dos principais nomes da Seleção Brasileira
Foto: Rich Storry / AFP

Eu cobri quatro Copa do Mundo no exterior. Em 1990, na Itália, o Brasil estreou com vitória (2 x 1) sobre a Suécia. Em 1994, nos Estados Unidos, o Brasil estreou com vitória (2 x 0) sobre a Rússia. Em 1998, na França, o Brasil estreou com vitória (2 x 1) sobre a Escócia. Em 2006, na Alemanha, o Brasil ganhou (1 x 0) da Croácia. 

Foram jogos difíceis. Houve problemas. Mas a Seleção Brasileira conseguiu ganhar. Agora, na estreia diante do Marrocos, fiquei assustado com o primeiro tempo do Brasil. Quem parecia ter cinco estrelas no peito era o Marrocos. Quem parecia ser pentacampeão era o Marrocos. 

Na fase final, com a entrada de Danilo, Fabinho, Matheus Cunha, Danilo Santos e Luiz Henrique, a produção da Canarinho melhorou, mas não o suficiente para se impor como gigante do futebol mundial. Foi a pior estreia da Seleção Brasileira. Apenas Vini Jr se salvou.  

Sérias mudanças devem acontecer. Duas preocupações maiores:  a meia-cancha, que foi engolida pelo Marrocos, e a condição física do grupo. Na maior parte do jogo, Marrocos fez o Brasil correr atrás da bola. Péssimo sinal. 

Goleiro 

Esta é a terceira Copa do Mundo do goleiro Alisson como titular absoluto. Mas jamais transmitiu tranquilidade. Na Copa do Catar, em 2022, sofreu o gol de empate da Croácia, na prorrogação. Uma bola defensável. Já agora, diante do Marrocos, por que estava tão adiantado no gol que sofreu? Melhor é o Bento, que nem convocado foi. 

A vez 

Os jovens atacantes Endrick (19 anos) e Rayan (19 anos) estão pedindo passagem. A torcida brasileira está pedindo uma oportunidade para ambos. O treinador Carlo Ancelotti se faz de surdo. Não escuta o clamor que vem das arquibancadas. Quero ver diante do Haiti. 

Consequência 

A vitória (1 x 0) da Escócia sobre o Haiti trouxe mais pressão ao Brasil, que precisará de um placar elevado sobre o Haiti, visando a evitar situações esdrúxulas como a da Copa da Argentina em 1998. A Argentina entrou sabendo o número de gols que precisava marcar. E marcou. Até hoje há suspeitas que de o Peru abriu o jogo. 

Situações 

Na terceira rodada, dependendo das circunstâncias, Marrocos poderá enfrentar o Haiti, já sabendo de quantos gols precisará para garantir a classificação. Por isso é importante o Brasil abrir boa vantagem de gols diante do Haiti. Aí enfrentará a Escócia numa situação mais confortável. 

Otimismo 

Não perdi o otimismo. Ainda penso que, se Ancelotti resolver processar as mudanças necessárias, a Canarinho subirá de patamar com capacidade para competir diante das outras seleções de ponta. Há potencial na reserva. Se Ancelotti não mudar, temo ver a Canarinho voltar para casa na fase de grupos como na Copa da Inglaterra em 1966.   

Assuntos Relacionados