A Taça Brasil foi modelo. A Copa do Brasil, não

Leia a coluna de Tom Barros

Escrito por
Tom Barros producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 16:05)
Legenda: A Copa do Brasil é uma das principais competições organizadas pela CBF
Foto: Lucas Figueiredo / CBF

Não estou de marcação com a segunda mais importante competição do futebol brasileiro: a Copa do Brasil. Apenas não concordo com o trenzinho da alegria, que saltou de 32 clubes, na primeira edição, em 1989, para 126 clubes na atual temporada. Não me parece razoável.  

A Taça Brasil, antecessora da Copa do Brasil, foi uma competição enxuta. A primeira edição aconteceu em 1959, sendo o Esporte Clube Bahia o seu primeiro campeão. Apenas 16 clubes participaram. Apesar de enxuta, privilegiava os campeões do Rio e de São Paulo, que só entravam na fase final. 

A Taça Brasil de 1960 teve 17 clubes participantes. A Taça Brasil de 1961 teve 18 participantes. Enfim, um aumento tímido do número de clubes. Nada de comparar com os 126 clubes da atual Copa do Brasil. O exagero descaracterizou a competição. E ampliou os privilégios dos maiorais. 

Não há como comparar a Taça Brasil e a Copa do Brasil. A semelhança está apenas no nome. Na essência, a primeira era melhor: enxuta, simples. A segunda é uma porteira... 

Artilheiro 

Poucos torcedores sabem que Gildo Fernandes de Oliveira, o maior ídolo da história do Ceará, foi o artilheiro isolado da Taça Brasil de 1964. Gildo marcou oito gols. O vice-artilheiro foi Pelé, do Santos. Pelé marcou sete gols, o mesmo número de gols marcados por Carlos Ruiter, do Confiança de Sergipe. 

PV 

Quando o Castelão foi inaugurado, em novembro de 1973, houve a impressão de que o velho Estádio Presidente Vargas estaria definitivamente aposentado. O tempo provou o contrário. O PV continua sendo útil. Foi cenário de quase todos os jogos do Campeonato Cearense de 2026.  

Gramado 

Na temporada passada, o gramado do Castelão foi muito criticado. Realmente, houve um período vergonhoso. Era um estádio padrão Fifa, mas com gramado de campo de várzea. Com a paralisação, o gramado do Castelão foi bem cuidado. Tudo agora vai depender da carga de jogos. Se exagerarem, o gramado não aguenta. 

Revisão 

As recentes semifinais do Campeonato Cearense tiveram um público ridículo. Nem parecia que três times grandes estavam na disputa. Está aí no que deu a desvalorização do futebol interiorano. O “estadual” virou um torneio municipal. Se não repensarem o modelo, a tendência é a competição minguar até a extinção. 

Finais 

A falta de graça do Campeonato Cearense está na mesmice. Não muda nada. Aqui nem zebra acontece. Queira Deus tenhamos algo de bom nos jogos finais entre Ceará e Fortaleza. É o que ainda poderá salvar a imagem da competição, que se arrastou na mediocridade. Lamentável. 

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