A pobreza do futebol sem ídolos

Leia a Coluna desta sexta-feira (23)

Escrito por
Tom Barros tom.barros@svm.com.br
Legenda: Sérgio Alves e Clodoaldo são grandes ídolos do futebol cearense
Foto: JL ROSA / SVM e PEDRO CHAVES / FCF
Há três dias, a querida cidade de Sobral perdeu o seu maior ídolo: Cabeção. Ontem fiz uma merecida homenagem ao exímio goleador, que morreu aos 84 anos de idade. Com a morte do atacante Cabeção, fiquei a meditar sobre o prejuízo da ausência de ídolos nos clubes cearenses. 
 
Ídolo leva público aos estádios. Há uma aura especial nos que, com muita arte, iluminam o palco de suas atuações. Lamentavelmente, no momento, não há sequer por aqui um jogador alçado a tal condição. Permanece a vacância do trono. Não está valendo a expressão “rei morto, rei posto”. 
 
A presente observação é válida para o futebol brasileiro. O último ídolo foi Neymar, que atualmente tem a imagem desgastada, já pelos insucessos e polêmicas posturas. Há quem o considere na reta da aposentadoria, embora eu discorde de quem pensa assim. 
A ausência de ídolos empobrece o futebol. Sem eles, falta a imaginação que encanta, a habilidade que improvisa, a genialidade que hipnotiza. Sem eles, o futebol fica muito igual, insosso, sem graça.  
 

Disputa 

 
O futebol cearense era cheio de graça, quando tinha a disputa dos ídolos Gildo e Alexandre pelo Ceará e Croinha e Zé Paulo pelo Fortaleza. Torcedores iam ao estádio apenas pelo prazer de vê-los jogar. Deles sempre se poderia esperar algo inusitado, produto fora do roteiro. 
 

Maracanã 

 
O Rio de Janeiro viveu momentos inesquecíveis, quando, nas décadas de 1970 e 1980, o Vasco da Gama tinha Roberto Dinamite e o Flamengo tinha Zico. Foi uma das mais belas fases do futebol carioca em todos os tempos. O clássico Vasco x Flamengo era mais encantador com eles em campo. 
 

Ídolo coral 

 
O Ferroviário, na década de 1950, teve um ídolo que ainda hoje é lembrado como um dos maiores de sua história: Pacoti. Atuou no time coral em 1955, 1956 e 1957. Teve passagem no Sport-PE. Atuou no Vasco da Gama em 1958 e 1959. Muito torcedor coral ia ao estádio apenas para vê-lo em ação. 
 

Motivos 

 
Não sei qual a razão da falta de ídolos. Que hiato é este? É verdade que um ídolo não surge da noite para o dia. Demanda tempo. A rotatividade do futebol moderno também tem impedido a formação de raízes. Hoje em dia quem passa 20 anos em um só clube? É muito difícil. 
  

Privilégio 

 
Acompanho futebol desde 1956. Cito alguns ídolos que vi, ao vivo, em ação: Ivan Roriz, Mozart Gomes, Alexandre Nepomuceno, Gildo, Haroldo Castelo Branco, Pacoti, Pelé, Garrincha, Roberto Dinamite, Zico, Clodoaldo, Jardel, Iarley, Rivelino, Wilson Piazza, Tostão... Todos tinham algo próprio e especial na forma de jogar. 
 
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