A injustificável diferença da Série B
Leia a Coluna desta quinta-feira (9)
Há muitos anos, acompanhei a luta pela mudança do regulamento do Campeonato Brasileiro que, diferente dos demais países, não adotava o modelo de pontos corridos. Pelo regulamento anterior, fatiado em etapas, nem sempre o ganhador do título era o melhor time da competição.
Em 2003, finalmente, o Brasil passou a adotar o modelo de pontos corridos, que privilegia o mérito. De lá até hoje tem sido assim. O time que fatura mais pontos é proclamado campeão. Uma fórmula simples e justa. Os quatro melhores sobem direto para a Libertadores.
A Série B, até 2025, ano passado, também adotava o mesmo modelo. O time com o maior número de pontos era proclamado campeão. Os quatro primeiros colocados subiam direto para a Série A nacional. Critério justo. Aí, não sei por qual motivo, alguns “sábios” resolveram mudar.
Uma mudança inaceitável. Ainda bem que não mexeram no critério de proclamação do campeão, que continua sendo pelo maior número de pontos conquistados. Mas inventaram um playoff de acesso, que não tem nada a ver.
Playoff
A Série A tem 38 rodadas. E tudo fica resolvido. Proclama-se o campeão e os quatro primeiros vão direto para a Libertadores. A Série B tem também 38 rodadas. Quem conquistar o maior número de pontos será proclamado campeão. Os dois primeiros vão direto para a Série A. Os quatro seguintes vão disputar um playoff.
Fim
O correto seria a classificação e subida direta dos quatro primeiros para a Série A, como anteriormente. Pela mudança do regulamento, poderá haver um retorno ao passado, ou seja, o fim da meritocracia: o sexto poderá eliminar o terceiro colocado e o quinto eliminar o quarto colocado. Se assim for, o mérito irá para o espaço.
Jogos a mais
A Série B, para definir os dois últimos que sobem para a Série A, criou um playoff. São mais quatro jogos. Dois jogos entre o 3º e o 6º colocados e dois jogos entre o 5º e o 4º colocados. Não precisava de nada disso. Invencionice pura. Bastaria o critério por pontos corridos: os quatro primeiros subiriam direto para a Série A. E pronto.
Medo
Quero acreditar que o motivo da esdrúxula mudança foi o medo dos times incompetentes. Sabedores de que dificilmente chegariam entre os quatro melhores, resolveram criar mais duas chances: uma para o quinto e outra para o sexto colocado. No prejuízo ficaram o terceiro e o quarto, que subiriam direto.
Conclusão
Que arranjo ridículo. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Mas não custa nada se posicionar quando decisões assim contrariam o bom sendo e a natureza das coisas. Lamentavelmente, o casuísmo, tão imperante na política, voltou à Série B, apesar de banido desde 2003.