A incrível escalada da Copa do Brasil
Leia a coluna de Tom Barros
Ceará e Fortaleza avançaram para a quarta etapa da Copa do Brasil. As etapas que restam são as seguintes: quinta, oitavas de final, quartas de final, semifinal e final. A cada etapa, bom dinheiro nos cofres. Nesta quinta fase, entram os times da Série A e os que vêm da Libertadores.
Há, portanto, nítidos privilégios para os que ingressam apenas agora. São essas coisas que, no meu modo de entender, fazem da Copa do Brasil uma competição direcionada para os chamados grandes times do futebol brasileiro, bem diferente da enxuta Taça Brasil.
Ainda assim, com todas as distorções e privilégios, a Copa do Brasil é a segunda maior competição do país, atrás apenas da Série A do Campeonato Brasileiro. Quando era justa e não contemplava tantos privilégios, os times menores tinham melhores oportunidades de chegar ao título.
Pelo modelo de hoje, é muito difícil um time do segundo ou terceiro escalão ganhar o título. No modelo anterior era mais fácil, tanto assim que chegaram ao título Criciúma, Juventude, Santo André e Paulista.
Escalada
Vejam como inchou a Copa do Brasil: de 1989 a 1994, foram 32 times. Em 1995, 36 times. Em 1996, foram 40 times. Em 1997, 45 times. Em 1999, 65 times. Em 2000, 69 times. Em 2013, 87 times. Em 2026, competição atual, 126 times. A continuar assim, em poucos anos estará com 200 clubes participantes. É uma piada.
Trenzinho
A Copa do Brasil virou um trenzinho da alegria. Distribui uma ruma de dinheiro e assim virou também uma vendedora de ilusões. É muito difícil, a quem como eu acompanhou a séria e enxuta Traça Brasil, aceitar esta fórmula que se diz democrática, mas só privilegia os grandes.
Taça Brasil
Esta, sim, era uma competição enxuta. Entravam os campeões estaduais. O Bahia foi o primeiro campeão. Ganhou o título em 1959, numa decisão “melhor de três” com o Santos, de Pelé. O Fortaleza foi vice-campeão da Taça Brasil em 1960 e em 1968, sendo derrotado na final, respectivamente, pelo Palmeiras e pelo Botafogo.
Terceiro
Na Taça Brasil de 1964, o Ceará foi o terceiro colocado, atrás do Santos (campeão) e do Flamengo (vice). O Ceará foi eliminado nas semifinais pelo Flamengo. Perdeu no PV (1 x 2) e perdeu Maracanã (3 x 1). Gildo, que fez o gol do Ceará no Maracanã, foi o artilheiro da competição com oito gols, seguidos de Pelé e Ruiter, que marcaram sete.
Vice
O Ceará foi vice-campeão da Copa do Brasil de 1994, derrotado na final pelo Grêmio em Porto Alegre (1 x 0). O Vozão foi vergonhosamente prejudicado pelo árbitro Roberto Godói não marcou um pênalti legítimo em Sérgio Alves e logo o expulsou. Depois expulsou Victor Hugo. Tirou qualquer chance de reação do Ceará. Um absurdo.