A incômoda posição do Ceará
Leia a coluna de Tom Barros
Não está sendo fácil ver o Ceará na zona de rebaixamento. Observem um detalhe: os times da zona são olhados com desdém. São tidos como inferiores ou próximos descartados. Ninguém quer entrar na zona. Motivo simples: depois que entra, geralmente demora a sair.
O Ceará jogará apenas na segunda-feira, às 20:30, no PV. Receberá o Athletic, de São João del-Rei, do Estado de Minas Gerais, 11º colocado, com 22 pontos, cinco a mais que o Vozão. Agora, pelas circunstâncias, o Ceará se vê obrigado a ganhar, sob pena de afundar mais na zona maldita.
Na segunda-feira próxima, o Ceará já saberá os resultados de CRB x Goiás e Sport x Botafogo. Esses jogos interessam demais ao Vozão. Se CRB e Botafogo tropeçarem, o caminho estará aberto o Ceará sair da zona. Quando ao jogo América x Londrina, que igualmente interessa, será também na segunda-feira.
De nada adiantará ao Ceará ficar de olho nos concorrentes, se não fizer a parte que lhe cabe. O primeiro passo é ganhar do Athletic. Sem isso, será inviável a imediata retomada. É bastante incômoda a posição alvinegra.
Análise fria
Tenho escutado muitas críticas ao alto comando do Fortaleza, que vendeu o mando de campo do jogo de volta com o Palmeiras, válido pela Copa do Brasil. Em outras circunstâncias, eu também seria contra. Entretanto, diante do atual cenário, o caso merece uma análise fria, muito profissional.
Chances
O primeiro jogo entre Palmeiras e Fortaleza, pela Copa do Brasil, será no dia 02 de agosto, no Estádio do Palmeiras, em São Paulo. Teoricamente, as chances de vitória do Fortaleza, pelo atual momento tricolor, estão bastante reduzidas. Então, no jogo de volta no Castelão, em caso de insucesso lá, a receita estaria comprometida.
Sobrevivência
Caso houvesse a hipótese admitida no tópico anterior, a renda no Castelão jamais alcançaria o valor que o Leão receberá pela transferência do jogo para a Arena Pantanal (R$ 2,2 milhões). Não se trata, pois, de vender a alma tricolor. Trata-se de salvar os cofres do Fortaleza. A saúde financeira é fundamental para a sobrevivência.
Momento
Se o Fortaleza não tivesse uma dívida tão elevada para pagar, não iria vender o mando de campo. As atuais circunstâncias financeiras desfavoráveis é que levaram os dirigentes a uma posição antipática, ou seja, a de tirar de perto de sua torcida um jogo da magnitude de um Fortaleza x Palmeiras.
Conclusão
Quem tem a responsabilidade de pagar em dia os atletas é que sabe onde o sapato lhe aperta. A folha tem de ser coberta no final de cada mês. É prioridade. Como fazer, então, se a receita estiver aquém das obrigações? O que faria o torcedor? Venderia o mando de campo ou deixaria atrasar os salários dos atletas e funcionários?