A ilusão de um primeiro tempo bom
Leia a coluna de Tom Barros
Há momentos em que os sonhos se sobrepõem à realidade. Uma miragem que engana de tal forma que você jura que é verdade. Mas não é. Assim foi o primeiro tempo do Fortaleza diante do poderoso Palmeiras. O Leão, guardadas as devidas proporções, fez lembrar os velhos tempos de Ceni e Vojvoda.
Tudo desmoronou posteriormente. A verdade dos fatos assumiu o comando de tudo. O Palmeiras mais Palmeiras do que nunca, senhor da técnica e da bola. Dono do campo e dono do jogo. O placar de 3 a 0 e o desfile de superioridade que deixou o Fortaleza acuado. E foram embora os sonhos tricolores.
Deu para ver nitidamente que o futebol do Fortaleza é de segunda divisão. E terá de ralar muito para voltar aos tempos de glória em que enfrentava sem temores qualquer grande time do Brasil. As coisas mudaram muito. Da época de Ceni e Vojvoda restaram apenas os vídeos nos arquivos da televisão.
De qualquer forma, a ilusão do primeiro diante do Palmeiras abre a esperança de dias melhores. No momento, resta a certeza de a qualidade do futebol cearense voltou a ser mesmo de segunda divisão. É triste.
Show
Tenho de fazer justiça. O goleiro do Fortaleza, João Ricardo, é de Série A. Pega muito. Até hoje não entendi a razão pela qual ele não ficou no Corinthians. Considero João Ricardo um dos melhores goleiros do Brasil. Se não fosse ele, a goleada aplicada pelo Palmeiras teria sido bem maior.
Trabalho
O técnico Paulo Autuori tem agora uma noção exata dos desafios que terá para fazer um Fortaleza capaz de alcançar a classificação direta para a Série a, ou seja, chegar no primeiro ou no segundo lugar na atual Série B nacional. Meta principal: evitar o playoff, que é mata-mata meio loteria.
Folga
O Ceará está tendo um bom tempo de folga para os devidos ajustes. Há grande expectativas sobre o jogo com a Ponte Preta. Motivo simples: será essencial uma sequência de vitórias para não deixar cair o entusiasmo oriundo da virada espetacular sobre o São Bernardo. Uma derrota voltará tudo à estaca zero.
Efeito
A Ponte Preta é lanterna. Se houver um tropeço do Ceará, o efeito psicológico negativo será cruel. Desmanchará toda a confiança conquista, após o time se livrar da zona de rebaixamento. Há jogos que são estratégicos para consolidar uma retomada. Este diante da Ponte Preta é um deles.
Conclusão
O desafio do Ceará diante da Ponte Preta deixou de ser apenas mais uma partida válida pela Série B. Na verdade, virou ponto de partida ou uma espécie de catapulta de lançamento para decolagem segura, controlada. A convicção de que a zona maldita será coisa do passado.