A difícil, mas possível missão coral
Leia a coluna de Tom Barros
O Ferroviário, na fase semifinal, está em desvantagem diante do Fortaleza com relação ao jogo de volta, amanhã. Como perdeu por 2 a 0, terá de ganhar por dois gols de diferença para levar à decisão por pênaltis ou ganhar por três gols de diferença para ganhar a vaga direta nas finais.
É uma situação complicada, difícil, mas pode acontecer. Basta analisar o que houve no primeiro jogo. O Fortaleza abriu o placar aos 12 minutos, gol de Bareiro. O Ferrão reagiu. Aos 15 minutos, em chute potente de fora da área, obrigou o goleiro Brenno, do Fortaleza, a fazer grande defesa.
A insistência coral continuou. Em dois momentos, teve tudo para empatar e virar o jogo, ainda no primeiro tempo. Mena, em grande jogada, combinando velocidade e habilidade, obrigou Brenno a uma segunda defesa importante. A terceira chance veio com Ramires, que também obrigou Brenno a praticar nova defesa espetacular.
O Ferrão teve três chances para virar. Poderia ter mudado o rumo da história. Conclusão: se atuar como o fez no primeiro tempo do jogo anterior, o Ferrão terá chances. Se como no segundo tempo, aí ficará muito difícil.
Vantagem
O Fortaleza tem um elenco maior, que oferece ao técnico Carpini melhores opções para alterar o modelo de jogo, dependendo das circunstâncias. Como o Ferroviário terá de abrir a guarda, já pela necessidade de subir em busca da vitória, o Leão poderá tirar daí ótimo proveito.
Correção
O Ferroviário precisa ajustar a finalização. Como citei, teve três momentos de ouro para fazer os gols de uma virada no primeiro tempo do clássico anterior. Desperdiçou as três chances. Certamente dirão que o mérito foi do goleiro Brenno. Tudo bem. Mas a habilidade dos atacantes corais poderia ter feito a diferença.
Ritmo
A reação coral, que assustou o Fortaleza no primeiro tempo, sumiu na fase final. O Ferrão não manteve o ritmo. O Leão retomou o controle do jogo e ampliou para 2 a 0. Depois disso, os sinais foram de aceitação por parte do Ferroviário. Para tirar a diferença, o Ferroviário terá de jogar muito mais nos dois tempos.
Administrar
Ao Fortaleza, com a boa vantagem obtida no primeiro jogo, caberá administrar o resultado. A corrida do tempo lhe será favorável. Quanto mais o tempo for passando, maior será o desespero coral. Isso amplia a possibilidade de erros. Pode facilitar ainda mais a vida do Leão.
Conclusão
A missão coral realmente é delicada. Sabe da superioridade do elenco do Fortaleza. Mas também sabe que vencer por dois gols de diferença é plausível. E levaria à decisão por pênaltis. Pensar em ganhar por três gols de diferença me parece utopia. Só posso dizer que o Ferrão ainda está vivo.