A carência que afasta multidões
Leia a Coluna desta sexta-feira (14)
Nos campos de futebol, sempre haverá alguém que faça a diferença. São pessoas especiais, que receberam de Deus uma aptidão acima da média. Assim, o talento se impõe, sobressaindo-se no toque de bola, na finalização, na leitura de jogo, no drible, no passe.
Nem todos os ídolos, porém, têm as qualidades acima citadas. É o caso dos goleiros. O meu primeiro ídolo foi o goleiro Ivan Roriz, carinhosamente chamado de Ivan Boião. Aconteceu em 1956, no PV, quando de um jogo do Ceará. Ele era goleiro do Vozão. Seus voos e suas defesas espetaculares me impressionaram.
Observo a carência de ídolo no atual futebol cearense. Depois que Sérgio Alves, Magno Alves e Clodoaldo penduraram as chuteiras, não surgiu um atleta com as qualidades necessárias para substituí-los à altura. Assim, existe uma vacância. Isso é muito ruim em termos de motivação.
O ídolo arrasta multidões. Há quem compareça aos estádios apenas para ver os ídolos em ação. Sem ídolos, há uma significativa redução no interesse dos torcedores. O futebol se torna pobre e meio sem graça.
Treinadores
Nos anos mais recentes, aconteceu um fenômeno só visto no futebol cearense. Os ídolos foram dois treinadores, ambos do Fortaleza: Rogério Ceni e Juan Pablo Vojvoda. Não lembro ter visto algo semelhante. Mas, como no futebol cearense tudo é diferente, teria mesmo de acontecer aqui esse fenômeno.
Craque
Há um jogador cearense que merecia maior reverência e maiores aplausos. Talvez por ter construído suas glórias em outros países, não tenha recebido em Fortaleza as honras e homenagens na devida dimensão. Recebeu, sim, o reconhecimento em sua terra natal, Quixeramobim. Refiro-me ao meia/atacante Iarley. Um craque.
Campeão
Iarley tem dois títulos de campeão mundial. Em 2003, como titular, ganhou o título de campeão mundial, jogando pelo Boca Junior, da Argentina. A decisão foi diante do Milan, da Itália, que tinha os brasileiros Dida, Cafu e Kaká. Houve empate no tempo normal e na prorrogação. O Boca venceu nos pênaltis.
Bicampeão
Em 2006, Iarley também foi titular na conquista do Mundial de Clubes pelo Internacional de Porto Alegre. A decisão foi diante do Barcelona, que tinha os brasileiros Ronaldinho Gaúcho e Belletti, além dos craques Iniesta, Puyol e Xavi Hernández, que seriam campeões do mundo pela Espanha em 2010.
O show
Iarley foi o maior nome da vitória do Inter sobre o Barcelona em 2006. Seu passe para o gol da vitória, marcado por Gabiru, foi genial. Nos minutos finais, segurou a bola e o jogo com seus dribles e seu talento. Aqui foi duas vezes campeão cearense pelo Ceará: em 2002 e 2011. No momento, há carência de ídolos como Iarley.