A carência de ídolos no futebol cearense
Leia a coluna de Tom Barros
Nestes caminhos da vida, reencontrei o ex-jogador Josué, carinhosamente chamado de “Soldadinho de Chumbo”, apelido dado pelo saudoso narrador esportivo Júlio Sales. Josué foi ídolo no Ceará. Também brilhou intensamente no Goiás. Josué deu um carão no Zico, ídolo do Flamengo, em pleno Maracanã.
Na década de 1980, Josué estava muito bem no Vozão. Foi enfrentar o Flamengo no Maracanã. Houve empate (2 x 2). Josué, o nome do jogo. Zico se sentiu incomodado. Reclamou algo do “Soldadinho de Chumbo”. A resposta de Josué veio na ponta da língua: “Faça o seu que eu faço o meu”. Zico ficou na dele.
A conversa me levou a pensar sobre a carência de ídolos, atualmente, no futebol cearense. É visível a escassez de jogadores capazes de empolgar multidões. Talvez a própria rotatividade não permita mais a criação de um vínculo duradouro, que costumo chamar de fusão de imagens.
No momento, é mais fácil cultuar a lembranças dos que entraram para a história do futebol cearense, nas jornadas inesquecíveis acontecidas no velho Estádio Presidente Vargas.
O primeiro
Costumo lembrar que o meu primeiro ídolo foi o goleiro do Ceará, Ivan Roriz. Ele também era carinhosamente chamado de Ivan Boião. Em 1956, eu tinha nove anos de idade, quando fui ao PV pela primeira vez. Vi o Ivan, de uniforme todo preto, com o número um, branco, nas costas. Seus voos e defesas me impressionaram.
Show
Mozart Gomes, o Mozarzinho, foi um meia notável. Na década de 1950, aos 16 anos, já desfilava seu talento. Primeiro no Gentilândia, depois no Fortaleza, Náutico, Fluminense, América, Ceará, Ferroviário. Foi, na minha opinião, o melhor jogador cearense que eu vi em ação. Um craque.
O maior
Para mim, Gildo Fernandes de Oliveira foi o maior ídolo do futebol cearense em todos os tempos. Ídolo do Ceará nas décadas de 1960 e 1970. Artilheiro nato. Sinônimo de gol. É o maior goleador da história do Ceará, com 261 gols. Dificilmente Gildo será superado.
Tricolor
Poderia citar vários ídolos do Fortaleza. Clodoaldo, o “Baixinho Bom de Bola”, é um deles. Mas creio que na memória da torcida tricolor está o goleador Croinha, que brilhou como goleador do clube na década de 1960. Moésio Gomes também foi notável ídolo tricolor.
Ferrão
Pacoti entrou para a história coral na década de 1950. Veio do Bangu, de Quixadá. Goleador nato também. Depois, brilhou no Vasco da Gama do Rio de Janeiro e no Sporting de Lisboa. Outros ídolos do Ferroviário: Zé de Melo, Aldo, Nozinho e Manuelzinho.