Ticiana Rolim é a empreendedora que impacta vidas

No dia do empreendedor, Ticiana Rolim é a mulher referência no Estado na busca de alternativas para acionar a capacidade intelectual de grupos e gerar resultados transformando realidade em bons negócios de impacto social.

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Ticiana Rolim Queiroz nasceu em uma família que dirige um dos maiores grupos econômicos do Estado. Desde cedo, buscou autonomia e independência. 

É uma típica leonina. Tem liderança genuína. Agrega e comanda grupos como ninguém.

Os cabelos são tão cacheados que não poderiam ser lisos, jamais! Ela é energia em mais alta voltagem! Quem conhece essa mulher sabe que a vibração é tanta que o tempo dedicado às coisas espirituais e à natureza são inegociáveis para equilibrar seu mundo.

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Nesse momento, Ticiana é a Tici, que sente a força da natureza, crava os pés nos chãos, enterra-se na areia, acende a fogueira em noite de lua cheia e conecta-se com o Universo.

É uma mulher que tem uma visão holística da empreendedora: dorme, acorda com ideias e faz acontecer. Sabe muito bem encontrar o algoritmo do negócio e dar ritmo às pessoas. Nesse caminho, tem o código do sucesso, porque sabe inovar, melhorar, gerar valor e impactar, fazendo florescer talentos que precisam desse adubo.

Transformadora, consciente da sua condição como ponte, é uma máquina de gerar resultados. Ticiana Rolim é a nossa referência de uma empreendedora, a qual, em nome dela, homenageamos a todos e a todas no dia de hoje. Conheça a história da nossa Dona de Si.

1) Conta como foi o início da sua carreira à frente do grupo C.Rolim e sua trajetória até chegar à direção.

Vou tentar resumir... Eu sempre fui muito admiradora do meu pai (Pio Rodrigues Neto) e escolhi fazer administração para trabalhar com ele. Passei na faculdade quando tinha dezessete anos e quis trabalhar imediatamente, mas ele disse “não, você primeiro vai só estudar”. Então, passei o primeiro semestre só estudando. No segundo semestre, cobrei-o de novo e ele continuava resistindo à ideia. Quando cheguei no terceiro semestre, ele viu que não ia ter jeito e que eu queria muito trabalhar.

Ticiana com os filhos e os pais: Pio Rodrigues Neto e Stella Rolim
Legenda: Ticiana com os filhos e os pais: Pio Rodrigues Neto e Stella Rolim

Na família, nós somos, ao todo, doze netos. Seis mulheres e seis homens. Meu pai me disse que eles tinham conversado entre si (os irmãos, ele e meus tios), e chegado a uma conclusão: os seis homens iam trabalhar e as seis mulheres não. Era uma regra do Grupo (C. Rolim). Eles tinham um pensamento que ainda vinha muito da época do meu avô, de que mulher não trabalhava, um pensamento que, felizmente, vem se atualizando com o passar do tempo.

Eu fiquei muito chateada, é óbvio, mas aceitei. Na época, eu brincava e dizia que iria trabalhar para o concorrente, mas fui seguir minha vida. Como era muito orgulhosa, disse que não queria mais receber mesada. Com isso, fui fazer bijuteria. Era uma coisa que eu fazia por lazer e fui aprofundar para poder vender e ter meu dinheirinho para sair no final de semana, ir para o cinema. Claro que, no primeiro final de semana, me arrependi, né? (Risos) Eu queria sair e não tinha dinheiro, mas também não dei braço a torcer.

A partir daí, eu e a Beatriz Miranda, minha amiga, criamos uma marca de bijuteria. Fiquei um tempo vendendo bijuteria. Até que, com menos de seis meses, eu consegui um emprego numa corretora de seguros. Fui vender seguro de carro, seguro de vida para os meus amigos e amigos do meu pai. Foi quando a minha mãe montou uma casa de chá, a Casa Rosa. E aí eu fui trabalhar com ela.

Nesse período, eu já estava com 20 ou 21 anos. Eles viram que eu não estava para brincadeira, né? Viram que eu trabalhava muito e que eu era muito dedicada. Eu tenho essa parte que realmente trabalha muito, mas, no fundo, também tinha uma parte minha que queria mostrar para eles o que eles perderam. (Risos)

Foi quando eles estavam planejando construir um shopping no Centro (de Fortaleza) e me convidaram para cuidar desse shopping e eu finalmente fui trabalhar com eles.

O objetivo era implantar o shopping, mas eu fui estudar. Viajei, pesquisei, fiz pesquisa de mercado e mostrei para eles que não era viável. Então, o shopping não foi feito. Seis meses depois, eu fui trabalhar na Imobiliária C. Rolim (outra empresa do Grupo). Fiquei lá por dez anos. No segundo ano, papai me convidou para ser ouvinte numa reunião de planejamento estratégico da C. Rolim Engenharia. Mas eu sou difícil de ser só ouvinte, né? Posso até escutar bem, mas eu falo também muito. (Risos)

Na época, a gente não tinha um setor comercial. Era o papai ou o próprio administrativo financeiro que fechavam as vendas. Dei a sugestão de estruturar uma área comercial e marketing.

O papai me deu a missão implantar essa área. Foi quando eu comecei como Gerente Comercial e Marketing. Fazia tudo sozinha. Na época, mandava fax para os corretores com as tabelas, trabalhava o dia inteiro. De sete da manhã às oito da noite. Foi quando eu me formei, fiz minha pós-graduação em Gestão de Negócios pelo IBMEC (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais) e fui crescendo e desenvolvendo vários projetos dentro da empresa. Fui criando o meu espaço.

2) E qual foi o seu maior desafio nesse período?

O maior desafio era justamente estar num mercado extremamente masculino, que era o da Construção Civil. Imagina... Não tinha nenhuma corretora mulher, eram todos homens. Na própria empresa, também acho que só tinha eu e mais duas (mulheres). Eu era muito magra, muito novinha, carinha de menina. Então, para eu conquistar o respeito foi desafiador, né? Eu sofri muito com essa coisa de o corretor dizer “vou perguntar ao seu pai se pode isso”, sabe? Eu dizia, “não, eu estou dizendo que não, pode confiar”.  Então, foram muitos os desafios vindos desse lugar masculino e onde só homem podia trabalhar.

3) Qual conselho daria para mulheres que, de certa forma, também precisam enfrentar o preconceito e se encontram na condição de ter de provar que são aptas para dirigir grandes negócios, exercer funções de liderança?

Antes de responder, eu preciso abrir uma ressalva para dizer que eu precisei amordaçar o meu lado feminino no início da minha carreira. Eu só tenho consciência disso hoje. Eu tive que ativar o meu lado masculino para provar que eu era capaz e que podia trabalhar até melhor ainda do que os homens. Isso foi um custo. Aliás, acho que 100% das mulheres que, hoje, estão no poder, têm poder de alguma forma ou exercem um cargo de liderança, precisaram fazer isso. Porque é muito difícil, no patriarcado, que uma mulher conquiste um espaço de liderança se ela não ativar o seu lado masculino.

O desafio é: quando chegamos na liderança, as pessoas esperam que a nossa liderança seja mais feminina, que os aspectos do feminino prevaleçam. Mas como, se para chegar nesse lugar tivemos que amordaçar o nosso feminino no porão? O masculino que está atuando com toda a sua força. Além disso, esse desequilíbrio nos adoece, me adoeceu. Aí vem o maior desafio, reconhecer e resgatar o feminino do porão e tentar equilibrar de forma saudável o feminino e o masculino em nós.

Isso é uma coisa que eu aprendi na minha experiência, na minha vivência. Há uns seis anos eu comecei a fazer um trabalho do meu feminino. Hoje, eu sou uma gestora muito diferente do que eu era há dez anos.

Antes disso, eu trabalhava muito com o meu lado masculino ativo. Eu não diria que eu estou com os dois lados (masculino e feminino) equilibrados, porque isso aí eu acho que tem que ter outra vida para conseguir, mas já tirei o meu feminino do porão, e eu o vejo atuando em muitos momentos.

Enfim, o conselho que eu daria e que eu gostaria que alguém tivesse me dado é: cuidado com essa ação muito masculina. Cuide também do seu feminino, porque isso tem um custo para nossa vida enquanto mulheres. Tem um custo na nossa relação com os filhos, com a família, na nossa saúde.

Graças a Deus, eu consegui ter consciência disso e resgatar meu feminino. Aliás, eu ainda estou resgatando, né?  Eu conheço muitas mulheres que não conseguiram perceber isso. O importante é ter consciência, ter esse cuidado. É perceber, no mercado de trabalho, na sociedade patriarcal, em que momento nós estamos nos traindo.

Eu aprendi isso com a vida, no meu trabalho de autoconhecimento, já no limite do meu estresse físico, mental, emocional, de desconexão comigo mesma. Quando esse desequilíbrio acontece, também se dá uma desconexão conosco mesmas. Foi muito desafiador para mim esse resgate. Eu não gostaria de ter chegado a esse ponto, sabe? Mas estou aqui para contar a história e poder ajudar a evitar que outras mulheres também passem por esse caminho. Assim eu espero.

4) Como e quando percebeu que era possível unir negócios e grandes empreendimentos com causas sociais? Qual o pontapé para a criação da Somos Um?

Eu sempre fui muito envolvida com projetos sociais. Sempre fui muito levada pelos meus pais, desde criança, para a Edisca, para a Associação Peter Pan, para o Iprede. Mas eu comecei a me questionar se isso era suficiente, e se diante dos talentos que eu tenho, dos instrumentos que Deus me deu, isso era o suficiente a se fazer. Eu sei que isso era uma ajuda importante, mas me perguntava se era suficiente. E aí eu comecei a me abrir para ver possibilidades de como eu poderia contribuir mais. Comecei a me inquietar muito com a desigualdade social, desigualdade de oportunidades. Foi quando eu me deparei com o livro “Um Mundo Sem Pobreza”, do Yunus.

Em 2017, eu li esse livro e me emocionei muito. Cai no choro quando eu li a frase “Sonho com o dia em que as pessoas vão precisar ir para o museu para saber como era viver na pobreza”. E eu pensei: “Esse também é o meu sonho. O que esse homem está fazendo? Eu vou copiar!”. (Risos)

A partir daí, fui ler todos os livros dele, fui pesquisar outros livros que falavam das desigualdades sociais e das falhas do capitalismo, que é um sistema muito bom em produzir riquezas, mas é ineficiente em distribuir riquezas. Então, eu comecei a estudar sobre negócios sociais e negócios de impacto e foi quando a Somos Um nasceu. E eu comecei a dedicar minha vida a realmente criar uma economia mais justa e equilibrada.

Na Somos Um, nosso propósito é proporcionar o empoderamento das pessoas a partir do empreendedorismo para que elas prosperem. É levar oportunidades. É usar o empreendedorismo como ferramenta de transformação social. É incentivar negócios de impacto que resolvam problemas sociais dos bairros. É incentivar empreendedores sociais para que eles possam gerar riquezas a partir dos seus talentos.

Ticiana palestrando para o negócio de impacto social a Somos Um Ce (Foto: Kid Junior)
Legenda: Ticiana palestrando durante a abertura do hackathon social realizado no Bom Jardim
Foto: Kid Junior

Até o ano passado, eu era Diretora Comercial e Marketing na C. Rolim Engenharia. Eu trabalhava na C. Rolim Engenharia e tocava os projetos da Somos Um mais no fim da tarde, à noite, no final de semana, nos horários vagos. Depois, eu comecei a ficar de manhã na C. Rolim Engenharia e à tarde na Somos Um. Isso me conectou com o meu propósito, com aquilo que eu vim fazer no mundo.

Eu comecei a dedicar 100% do meu tempo, mesmo na C. Rolim Engenharia, a algo que eu pudesse gerar impacto positivo. Eu não conseguia mais trabalhar em nada que eu não conseguisse medir esse impacto e que não estivesse transformando a vida das pessoas.  A gente já fazia muitos projetos sociais pela C. Rolim Engenharia, mas ainda muito intuitivamente. A gente precisava organizar isso, medir esse impacto, profissionalizar essas ações sociais e colocar o impacto dentro do nosso modelo de negócio. Foi aí que eu criei uma área nova na empresa, que se chama Diretoria de Gente e Impacto Social, que é a que estou atuando hoje.

5)  Você tem algum projeto na área do empreendedorismo social que ainda deseje colocar em prática, ou alguma causa específica em que ainda não atuou, mas queira muito estar presente de forma mais efetiva?

Integrantes da Somos Um Ce
Legenda: Ticiana Rolim acompanhada do padre Rino Bonvini, parte da equipe da Somos Um e convidados durante o lançamento do hackathon social no Bom Jardim

Na Somos Um, temos um trabalho já consolidado de apoiar empreendedores sociais, acelerando os negócios, investindo em outros. Apoiamos mulheres para que elas se empoderem e possam desenvolver os seus próprios negócios. Mas eu sinto que, para criar essa economia, a gente precisa apoiar as empresas a terem também esse olhar.

Daí a importância do ESG (Environmental, Social and Corporate Governance - traduzido do inglês significa “Dados ambientais, sociais e de governança corporativa”), que se refere às métricas relacionadas a ativos intangíveis dentro de uma empresa, com os impactos gerados nessas três áreas. As empresas que não fizerem isso por consciência vão precisar fazer por sobrevivência, porque as pessoas não vão mais querer comprar o que você faz, elas vão comprar o como e o porquê você faz. Os clientes estão pesquisando como é a sua cadeia produtiva até chegar no produto final. Estão buscando saber como é que você trata os seus colaboradores, qual o impacto que você está gerando, se ele é positivo ou negativo.

As pessoas não vão mais querer trabalhar para as empresas que não tiverem um propósito acima de tudo, que não estejam gerando impacto positivo. Os investidores também estão exigindo relatórios de impacto, medição de impacto. É o que já está acontecendo. Então, ou você faz porque você é consciente, quer contribuir para um mundo melhor, para garantir a sobrevivência da humanidade e do planeta, ou você vai acabar tendo de fazer por sobrevivência, porque o mercado vai exigir. Seus stakeholders vão exigir.

Então, eu quero muito poder apoiar empresas que já existem, empresas pequenas, médias e grandes a olharem para isso. Ajudar a criarem produtos, medirem seus impactos. Já estamos iniciando conversa com algumas empresas para iniciar nossa atuação nessa área.

6) Como consegue conciliar a vida em família, o trabalho à frente da Somos Um e na C.Rolim Engenharia e se envolver em tantos outros projetos e causas socioambientais?

Ticiana Rolim tem compromisso com o meio ambiente
Legenda: Ticiana Rolim tem compromisso com o meio ambiente

A primeira coisa que me favorece para eu conseguir dar conta de tudo é me conectar com o meu propósito. Quando a gente faz isso, a gente gasta menos energia e tem mais resultado. Há alguns anos, eu era mais estressada, tinha menos tempo para tudo e fazia muito menos coisas. Eram coisas dispersas, tinham muitas pedras no caminho. Mas quando você entra nesse fluxo divino que é a conexão com seu propósito, com aquilo que você veio fazer na terra, você atrai, como um imã, as pessoas que estão conectadas com esse propósito para unir forças e os caminhos se abrem. Aí você gasta menos energia para mais resultado.

Muitas pessoas se impressionam com a quantidade de coisas que eu faço hoje e, ainda assim, tenho mais tempo livre para mim do que tinha há dez anos, por exemplo. Eu fazia um terço das coisas que eu faço hoje.

Mas é imprescindível ter um time comprometido. Tenho uma equipe em casa, uma equipe na Somos Um, e uma equipe na C. Rolim Engenharia. São pessoas comprometidas, empenhadas. Pessoas que conectaram seus propósitos com o meu. Eu também aprendi a delegar. Há dez anos, eu tinha muita dificuldade de delegar. Eu venho aprendendo a delegar e a contratar pessoas melhores do que eu em temas específicos. Então, eu dou a orientação, coordeno os trabalhos, mas eu conto com essas pessoas e a gente consegue executar isso como um time. Eu não faço absolutamente nada sozinha.

Também estou sempre priorizando ter os horários de refeição, almoço e jantar com os meus filhos. Eu não agendo reuniões em final de semana. Muitas vezes, quando eu não consigo dar conta de tudo que eu preciso durante a semana, como olhar e-mail, responder o WhatsApp, olhar projetos, então eu tiro sábado e domingo de manhã antes de todo mundo acordar para resolver. Eu acordo mais cedo, fico ali duas, três horas, dando vazão a tudo que chegou no meu colo na semana e eu não dei conta.

Também faço ioga três vezes por semana, pela manhã. Depois da pandemia, eu até tive mais flexibilidade de acompanhar alguma atividade dos meus filhos porque acabamos ficando mais em casa. Enfim, o mais importante é a conexão com o propósito e com as pessoas. É acreditar no que estamos fazendo.

7)  Em meio a uma rotina tão intensa, como manter também a conexão consigo mesma e com a sua espiritualidade? Qual o seu refúgio?

Ticiana Rolim exercendo a uma das suas práticas da espiritualidade, meditação.
Legenda: Ticiana Rolim exercendo a uma das suas práticas da espiritualidade, meditação.
Foto: Arquivo Pessoal

Eu comecei a trabalhar melhor minha espiritualidade há quase dez anos. Eu estava passando por um processo de estresse muito alto e comecei a fazer terapia e yoga por orientação médica. Eu sempre gostei muito de ler, mas eu lia muitos livros de Administração, de Gestão, de Marketing, tudo muito voltado para o trabalho. Então, passei a ler mais livros de espiritualidade.

Eu não estou conectada com nenhuma religião específica, mas tenho uma conexão muito forte com Deus. Acredito que Deus habita em cada um de nós e a minha conexão é com esse Deus interior mesmo. Não tenho nenhum ritual de religião. Não considero que eu seja praticante de nenhuma religião. A minha prática é silenciar, olhar para a minha sombra, acolhê-la, integrá-la junto à luz e seguir evoluindo.

Para só assim poder de fato colocar o amor em movimento, fazer o bem, doar meus talentos, usar os instrumentos que Deus me deu para ajudar as pessoas, essa é a minha prática de espiritualidade.

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Legenda: Conexão da empreendedora com a natureza
Foto: Arquivo Pessoal

Além da terapia, participo também do pathwork, de retiros espirituais e, sempre que necessário, faço Constelação Familiar. Comecei a olhar minhas dores, minhas sombras, ressignificar uma série de coisas. É um trabalho de autoconhecimento bem profundo. Hoje, eu tento praticar minha espiritualidade e minha autorresponsabilidade no dia a dia. Eu sinto que isso é um ponto importante: entendermos que não somos vítimas. Nós mesmos nos colocamos onde estamos. Para mim, isso é espiritualidade, porque vem a partir de uma compreensão do autoconhecimento, do Deus que habita em mim.

Sempre que me encontro em meio a um desafio, eu me pergunto “qual a minha parte nisso?”. Eu acredito que Deus não erra de endereço. Tudo que chega para nós tem um aprendizado, traz algo para desenvolvermos. Então, eu estou sempre olhando para isso. Também medito quase todos os dias, quando eu acordo. Eu moro em casa, tenho jardim, ando um pouco descalça na grama. Fico de dez a quinze minutos em meditação pela manhã.

Costumo ainda, muitas vezes, fazer um minuto de silêncio antes das reuniões. E o meu refúgio é sempre a natureza. É a Serra de Guaramiranga, onde a gente tem casa. É a Amazônia. É uma praia. É tomar banho de mar, me enterrar na areia.

Também me reabastece ficar com meus filhos. É estar com eles, seja para tomar um banho de piscina, assistir um bom filme, jogar um jogo de tabuleiro, curtir uma viagem, brincar ou fazer refeições juntos. É isso.

Legenda: Ticiana, Marco, Beatriz, Edson e Júlia Queiroz
Foto: Arquivo Pessoal

8) E a política? Há interesse em atuar também do lado do poder público para defender as causas com que já tem ligação?

Eu sinto que todos nós fazemos política. Eu tive uma época que dizia “não, política eu não quero nem saber, não vou me envolver”.  Mas isso não é uma decisão inteligente porque a gente não tem essa escolha. É inerente ao ser humano que convive em sociedade. Deixar que os outros escolham por você é um risco muito grande que se corre. Mas o meu chamado para política vai muito mais para o lado de realizar projetos junto com governos, apoiar pessoas que eu acredito a entrarem na política, do que necessariamente eu precisar concorrer a cargos eletivos.

Sou uma apoiadora do movimento: Renova BR, que promove a educação democrática e política. A gente fez, inclusive, um evento aqui no Ceará para convidar líderes comunitários, mulheres, pessoas LGBTQIA+ para entrarem na política. São pessoas com experiências diferentes das que estão postas e que eu acredito muito que podem fazer a diferença na política.

Também sou uma apoiadora do movimento “Vamos Juntas”, fundado pela deputada Tabata Amaral, que apoia mulheres na política. Acredito que as mulheres precisam, sim, ocupar mais cargos na política. Todos os países que têm mulheres em cargos de liderança demonstram um menor índice de corrupção e um maior cuidado com educação, saúde e segurança.

Já recebi alguns convites para atuar em partidos, mas esse chamado ainda não tocou o meu coração. Ainda assim, posso ajudar muitas outras pessoas a se tornarem políticas. Eu me coloco muito mais como instrumento de transformação política. A forma de fazer isso não é só uma. Eu não preciso ter de me candidatar para isso. Existem várias formas de sermos atores importantes nessa transformação política. Então, meu lugar, por enquanto, é esse.

9) De que forma você avalia que a presença de mais mulheres na política ou em espaços de poder e tomadas de decisão poderia melhorar a sociedade o País?

É extremamente necessária, importante e urgente. O Brasil, hoje, tem em torno de 30% dos cargos somente ocupados por mulheres. É muito pouco. A gente precisa equilibrar isso. A mulher pensa mais no outro do que o homem, pelo próprio instinto maternal. É necessária a presença da mulher em cargos públicos porque também são necessárias mais políticas públicas para as mulheres. E nada melhor do que mulheres pensando em mulheres e apoiando mulheres. Eu sinto o movimento crescente e tenho esperanças de que, cada eleição, a gente vai conseguir eleger melhores lideranças femininas nos cargos políticos.

10) Para você, o que é ser Dona De Si?

É ter poder de escolha. É ouvir o seu coração, poder conectar-se com ele. É ser livre, de dentro para fora. É acreditar que é possível, acreditar que é capaz. Ser livre das crenças que nos limitam, de crenças preconceituosas. É reconhecer as suas sombras e a sua luz.

Acredito que não conseguimos ser donas de nós mesmas se não reconhecermos as nossas vulnerabilidades. É reconhecer suas forças e fraquezas, sua coragem e seu medo e integrar todas essas partes. Isso é ser dona de si para mim.

A Dona de Si
Legenda: A Dona de Si
Foto: Arquivo Pessoal

 

 

 

 



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