Scarlett Johansson e Adam Driver brilham em "História de um Casamento"

Novo longa de Noah Baumbach, lançado na última sexta (6), é um baque sobre as relações e fragilidades

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Em entrega mútua, Johansson e Driver entregam atuações orgânicas e de impacto Foto: divulgação

Encontrei por acaso o filme "História de um Casamento" (Marriage Story) em meio as passagens pelo catálogo da Netflix na última manhã de domingo. Não que já não estivesse ciente do laçamento do novo longa de Noah Baumbach (Frances Ha), com Scarlett Johansson e Adam Driver como protagonistas, mas talvez a rotina faça esquecer o calendário de novidades. Vai entender. Fora isso, quero evidenciar algo simples: se ver arrebatado por uma narrativa quando só se deseja matar o tempo é algo impressionante.

Explico o contexto. A nova aposta do serviço de streaming mostra Charlie e Nicole, um casal intimamente ligado com a classe artística. Ela é atriz e ele diretor. Juntos, trabalham no teatro há alguns anos, mas uma nova proposta para a carreira de Nicole, em Los Angeles, é o fio condutor de uma separação.

Bens compartilhados, a guarda do filho, a mudança de residência. Tudo será posto em jogo em meio à vontade de manter tudo em bons termos. No entanto, a mensagem é de que laços desfeitos são complicados e podem sugar muito mais do que o emocional.

Antes mesmo de falar sobre como fui afetada pelo longa, é crucial ressaltar a entrega de ambos os atores. Driver é sensacional no que se propõe. Entrega uma atuação genuína, na qual é possível sentir a frustração e a tristeza de Charlie em um simples olhar. As atitudes do diretor orgulhoso são egoístas, mas ainda assim não se encaixam no espectro imutável. Ele sofre com processo doloroso de separação e o artista norte-americano entrega uma performance de completa maestria.

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Driver assume a persona de um diretor dedicado, mas alheio aos conflitos da esposa Foto: divulgação

Scarlett também é genial. Constrói Nicole como uma mulher que abdicou dos sonhos e se sente invisibilizada. O processo de separação a transforma em alguém que enxerga nos tribunais a possibilidade de reparação. Magoada, ela se vê em um caminho complexo e é nesse momento onde a atriz se destaca. Mesmo com menos tempo de tela que Driver, ela entrega algo tão orgânico quanto ele, transformando a relação entre os dois protagonistas ainda mais rica.

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Scarlett Johanson interpreta Nicole, uma atriz que recebe uma proposta para atuar em Los Angeles Foto: divulgação

Para além das atuações, sentir algo por meio de um produto audiovisual ainda é, para mim, uma experiência única. Baumbach mostra como alguém pode se transformar em circunstâncias adversas, como personalidades não são completamente simples ou visíveis. Aí se encontra a qualidade. Ainda que nunca tenha presenciado as situações do filme, o espectador poderá imergir em algo denso e "aberto". No geral, fica o baque por se ver tão envolvido em uma relação inexistente e, ainda assim, tão real.