Conhece a Mariana?

Eu queria era ser mais Mariana

Foto: Purino/ Shutterstock

Tenho uma conhecida que se chama Mariana. E a coisa mais estranha desse texto de hoje, depois do que eu contar, será a denominação que dei a ela: conhecida.

A Mariana estudava na biblioteca da faculdade comigo. A gente estudava pra concurso. Nesse tempo, criei um Instagram que se chamava 'No caso concurseira" (que hoje é o meu ganha pão). A Mariana foi uma das que sugeriram: “abre uma conta, tu é muito boa”.

Mariana se empolgou horrores com a ideia. Um dia, no intervalo dos estudos na biblioteca, ela me levou na livraria da faculdade. Conversou com a moça do balcão na cara dura e disse: “podemos sortear algo dessa loja quando ela fizer mil seguidores? Ela vai ficar muito conhecida. E vocês seriam os primeiros a apoiá-la”.

Eu queria enfiar minha cabeça dentro de um buraco de tanta vergonha. Odeio pedir. Nem sei se a Mariana gosta de pedir também, mas bastava a ela acreditar em mim. E pediu. O patrocínio, na época, não rolou.

Trezentos mil seguidores e uns cinco anos depois, o conhecida, até hoje, deixo por conta dela, Mariana sempre manda mensagem pra mim tendo uma ideia incrível de video e dizendo que tá muito feliz por mim: “Eu falei que tu ia bombar”.

Dia desses, Mariana viu que eu queria trazer uma encomenda de Fortaleza e movimentou a família inteira que tava vindo para Recife para trazer. A mesma: a minha conhecida, a Mariana.

Semana passada, Mariana comprou uma liturgia diária (somos católicas) e dividiu comigo - assim, sem qualquer porquê. Ela tinha e dividiu. Assim como ela fez com a aposta dela em mim em 2015.

Já me peguei pensando tantas vezes, constrangida de ser tão acolhida pela Mariana, que mal me conhecia, apenas queria bem. E aquilo sempre foi o suficiente pra Mariana.

E, de vez em quando, há 5 anos, como agora, me questiono: quantas vezes fui Mariana pra alguém? Dar em troca de nada.

Tenho amigos que daria tudo por eles, mas, por serem amigos. Eu queria era ser mais Mariana. Apenas apostar, dar minha cara pra bater por outra pessoa. Ser mais Mariana.

Entre tantas pessoas que tenho, hoje eu destaco a Mariana. Justamente porque não nos consideramos amigas, não partilhamos sobre nosso dia a dia. Mas porque pra ela é de graça, é pela aposta, é pela felicidade do outro, é por gastar tempo com o outro. E é justamente por isso que a conhecida Mariana, hoje, me veio à mente e merece todo o destaque que eu possa dar, na tentativa, de quem sabe um dia, ser um pouco ela.

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.