Coronavírus: "Estamos vivendo uma economia de guerra", diz empresário

A solução para este tempo comparável à economia de guerra passa por um enorme choque de liquidez que estimo em 5% do PIB”, opina o empresário cearense Lúcio Carneiro Filho, CEO da Resibras..

Jovem aos 49 anos, o empresário cearense Lúcio Carneiro Filho é o CEO da Resibras – empresa com sede em Fortaleza que produz, beneficia e exporta para a Europa amêndoa e óleo Líquido da Casca da Castanha de Caju (LCC).

Sua empresa tem uma unidade industrial nas cercanias de Lisboa (Portugal), onde agrega valor ào LCC.

A Resibras dá emprego direto a algumas centenas de pessoas no campo e na indústria.

Preocupa Lúcio Filho a crise sanitária e econômica causada pela pandemia do Covid-19.

“Têm sido corretas as medidas anunciadas pelo ministro da Economia Paulo Guedes, mas a solução para este tempo comparável à economia de guerra passa por um enorme choque de liquidez que estimo em 5% do PIB”, opina ele.

Lembra Lúcio que o Banco de Portugal, com respaldo do Banco Central Europeu, já fez chegar crédito de longo prazo, em curtíssimo tempo, aos agentes econômicos portugueses.

No Brasil – acentua – isso deverá vir das instituições financeiras, que têm competência para operar o crédito para os pequenos e médios. 

“O BNB tem uma carteira de microcrédito que será fundamental para a região Nordeste”, diz Lúcio Carneiro Filho, para quem “não é hora de olharmos o déficit fiscal ou as metas de curto prazo, é hora de adotarmos medidas sociais modernas em linha com o preconizado pelo ministério da Saúde, e agir rápido para dar um colchão de liquidez necessário às Pequenas e Médias Empresas, que dependem do capital de giro para o seu dia a dia”.

DESESPERO

Bateu o desespero no empresariado de pequeno porte – como os donos de academias de ginástica.

Eles alertam para o fato de que não há, por enquanto, ninguém preocupado com o que lhes acontecerá nas próximas 48, 72 horas.

Em mensagem a esta coluna, um desses empresários – dono de uma rede de academias – pergunta:

“Sem atividade, pois meus clientes estão isolados em casa, de onde não podem sair, como farei para pagar os salários dos funcionários? Se não tenho receita, como pagarei os impostos, a conta da luz e da água, o aluguel e os empréstimos bancários?”

Ele já fez um apelo aos líderes das entidades empresariais do Ceará no sentido de pressionar o governo na busca de uma alternativa que evite o que ele chamada de “pandemia da falência”.

“Se não houver um acordo nacional que crie uma regra para este problema, teremos – ao final desta pandemia – mais falidos do que contaminados” – conclui o empresário com visível cara de choro.

CASTANHÃO

Está todo o mundo com sua atenção voltada para as consequências sociais e econômicas da pandemia do Covid-19.

Mas há uma boa notícia chegando do interior do Ceará.

O açude Castanhão – por força das últimas enchentes do rio Salgado – já está com 5% de sua capacidade, represando cerca de 300 milhões de metros cúbicos de água.

Se as enchentes do Salgado persistirem, o Castanhão poderá chegar a acumular 10% de sua capacidade de 6,5 bilhões de metros cúbicos de água.

Será o suficiente para garantir a atividade da agricultura irrigada no Vale do Jaguaribe, onde algumas dezenas de milhares de pessoas dependem dela para o seu sustento.