Veja 5 formas de usar o 13º salário com impacto duradouro

Escrito por
Ana Alves producaodiario@svm.com.br
Legenda: Anote agora, ainda hoje, como você pretende dividir o seu décimo terceiro.
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Todo fim de ano traz aquele suspiro coletivo de alívio: o 13º salário começa a cair na conta de milhões de brasileiros. Para muitos, esse recurso é a chance de respirar depois de meses apertados.

Para outros, é a oportunidade de comprar presentes, viajar ou quitar pendências. Mas, na prática, a forma como usamos esse dinheiro faz toda a diferença entre começar o próximo ano com tranquilidade — ou com novos problemas.

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Para entender isso de um jeito mais concreto, imagine a história de Marcos, 38 anos, trabalhador da construção civil, pai de duas crianças e morador de Fortaleza.

Como tantos brasileiros, ele vive com o orçamento justo e terminou o ano “no fio da navalha”. Quando a primeira parcela do décimo terceiro caiu, o alívio foi instantâneo — mas junto veio a dúvida: usar para pagar dívidas? Presentes das crianças? Guardar? Investir?

A verdade é que o décimo terceiro não é um bônus. Ele é parte do salário anual, parcelado pelo governo para ajudar famílias a atravessar os meses de maior pressão financeira. E justamente por isso, planejar esse recurso é essencial. 

Por que o décimo terceiro é tão importante — e tão perigoso?

O décimo terceiro representa, em média, 8% a 10% da renda anual de um trabalhador formal. É dinheiro suficiente para mudar o jogo — tanto para melhor quanto para pior. Sem planejamento, ele “evapora”. Com estratégia, ele vira ferramenta.

A armadilha está no impulso. É fácil ver esse dinheiro como extra e gastar sem pensar. Mas aí chega janeiro: IPVA, IPTU, matrícula escolar, material, seguro do carro, fatura inflada de dezembro. Para quem não se organiza, esse ciclo vira um trapézio sem rede de segurança.

Marcos já tinha passado por isso. No ano anterior, gastou o décimo terceiro quase todo com compras de fim de ano. Em janeiro, tomou um empréstimo para cobrir contas, entrou no rotativo e passou boa parte de 2025 pagando por isso. Este ano, ele decidiu fazer diferente — e sua mudança oferece um roteiro valioso para qualquer brasileiro.

1. O primeiro passo: olhar para as dívidas

Antes de decidir o que fazer, Marcos pegou um caderno e anotou todas as suas pendências. Duas chamaram atenção:

  • R$ 1.450 no cartão de crédito
  • R$ 800 no cheque especial

Ambas com juros altíssimos — as piores dívidas possíveis. Pagar essas dívidas com parte do décimo terceiro não é “jogar dinheiro fora”, é interromper uma sangria. Cada R$ 100 pagos nessas dívidas economizam, no mês seguinte, até R$ 20 em juros. Poucos “investimentos” geram retorno tão rápido.

Para quem está endividado, este deve ser o ponto de partida: priorizar dívidas caras. Não é a escolha mais prazerosa, mas é a mais inteligente.

2. O segundo passo: reservar para janeiro (o vilão invisível)

Depois de acertar parte das dívidas, Marcos fez o que muitos brasileiros ignoram: separou dinheiro para o mês seguinte.

Janeiro é o mês que mais “derruba” orçamentos. Por isso, uma parte do décimo terceiro precisa ser destinada ao que eu chamo de “reserva de ressaca financeira”.

IPVA, IPTU, Material Escolar, Seguro, Matrícula, Fatura de Cartão mais alta. Essas contas não são imprevistos; são compromissos anuais que sempre chegam. Marcos separou um envelope com R$ 900 só para isso. Pela primeira vez em anos, janeiro não o pegaria de surpresa.

3. O terceiro passo: garantir uma pequena reserva de emergência

Com as obrigações mais pesadas resolvidas, Marcos separou R$ 300 para começar uma reserva de emergência — algo que ele nunca tinha conseguido fazer.

Uma reserva completa leva tempo, mas começar já é uma vitória. E ela tem um efeito emocional muito forte: reduz ansiedade e diminui a sensação de que qualquer imprevisto pode “derrubar tudo”.

Para quem nunca conseguiu guardar dinheiro, o décimo terceiro é a chance ideal de dar o primeiro passo.

4. Sim, dá para aproveitar o fim do ano — com limites claros

Planejamento financeiro não é sobre viver uma vida sem prazer. Depois de pagar dívidas, separar o valor de janeiro e reservar um início de emergência, Marcos destinou R$ 300 para presentes, pequenas celebrações e uma ceia simples, mas especial, com a família.

5. Como transformar o décimo terceiro em oportunidade duradoura

Planejar o décimo terceiro não é só resolver o fim do ano. É abrir caminho para começar o próximo em vantagem. Quando janeiro não vira um caos, toda a vida financeira melhora. Aqui vão algumas estratégias para tornar isso hábito:

  1. Defina um objetivo anual para o 13º: Quitar dívidas, criar reserva, viajar, reformar… metas claras evitam desperdício.
  2. Trabalhe com porcentagens. Por exemplo: 40% dívidas; 30% despesas de janeiro; 20% reserva; 10% lazer. O percentual pode mudar, mas a lógica funciona.
  3. Evite compras por impulso antes do salário cair. Muita gente gasta antecipado — e essa é a receita perfeita para o descontrole.
  4. Use o décimo terceiro como marco de revisão da vida financeira. Olhe para seus gastos do ano, reveja hábitos, trace novos limites.
  5. Envolva a família. Quando todos entendem o plano, fica mais fácil segui-lo.

O décimo terceiro não faz milagre. Mas, planejado, muda o rumo do ano seguinte.

Dica prática da semana

Anote agora, ainda hoje, como você pretende dividir o seu décimo terceiro. Mesmo que ele já tenha caído — ou até se já gastou uma parte — ainda dá tempo de organizar o restante.

A pior decisão financeira é a que se toma sem pensar.

A melhor é a que se toma com intenção.

Pensem nisso!

Até a próxima

Ana Alves- @anima.consult

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