Comparações não são construtivas, somos únicos e vivemos o nosso próprio tempo

As diferenças que existem entre os seres humanos são grandes virtudes para cada um de nós

Legenda: Os Jogos de Tóquio 2020 deixaram um legado de como conviver com seus adversários
Foto: A.RICARDO / Shutterstock

No esporte já vi comparações entre jogadores de épocas distintas, de atletas de modalidades diferentes e acho que não devemos fazer este julgamento de quem é o melhor ou de quem foi. Cada atleta, cada modalidade, cada época, cada região, cada cultura e cada indivíduo tem uma história única, e não cabe traçar paralelos, isso não leva a nada e não traz nenhum benefício ao esporte.

Pessoas que se destacam por seu trabalho, seja em que área for, principalmente no esporte, não devem se ater somente aos seus êxitos. Os indivíduos mais evoluídos não atribuem o sucesso a sói a si mesmo, e dessa forma conseguem alcançar a sua melhor performance e consequentemente fazem sucesso.

Considero que, todas as pessoas que vivem para o esporte são vencedores. Não se deve seguir padrões ou se prender somente às vitórias, mas sim focar na alegria de viver e praticar uma atividade que traz benefícios não só físicos como também mentais. É importante ter alegria de viver no agora.

Fazer comparações e julgamentos de desempenhos, atitudes e resultados não nos leva a um consenso ou a uma conclusão. Eleger um alguém superior a um outro é uma grande bobagem, o mérito é singular e acontece de formas peculiares a cada um. Querer ser alguém melhor a cada dia é o que traz o destaque individual, que vem através de gestos e atitudes construtivistas pelo coletivo.

As Olímpiadas e Paralimpíadas mostram que o sentido da vida é haver o congraçamento entre os povos, as nações que participam têm culturas e hábitos diversos, mas se respeitam. Os Jogos de Tóquio 2020 deixaram um legado de como conviver com seus adversários, e enfrentar o principal desafio que foi o de realizar as competições no meio da pandemia. A conquista de medalhas não é o elemento importante que os Jogos Olímpicos deixam, mas sim os momentos de solidariedade e fair play entre os atletas.

O entendimento de que cada um de nós tem uma importância para a construção de uma sociedade democrática evitaria guerras. O poder vem do povo e não de um só de um grupo com ideologias que só interessam a si e que culminam em guerras. Estas são caraterística que vemos hoje nos governos extremistas em certos países não só do Oriente como do Ocidente.

Voltando ao esporte, mais precisamente ao futebol brasileiro, podemos citar a inesquecível e fatídica partida da Copa de 2014 entre Brasil 1 x 7 Alemanha, que é simbólica para ilustrar o período de declínio social que vivemos daquela época até hoje aqui no Brasil. Mas não dá para fazer comparações com a Copa de 1958, quando ganhamos de 5 x 2 da Suécia, quando o contexto esportivo e histórico daquela época era outro. 

Algumas pessoas imergem num rebanho e não exercitam o dom inerente de pensar, analisar e enxergar o que se passa ao seu redor, e acabam caminhando com o gado, se deixando levar, sem saber qual será o destino, o que é muito perigoso, não ter um rumo.

Tome suas decisões e não compare os outros ou você a ninguém. Seja o dono do seu eu e trabalhe o seu potencial intrínseco de ser humano de verdade e de fazer o bem.

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.