Estou usando o meu 'domo de ferro' interno?

É melhor prevenir do que remediar

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 18:51, em 17 de Julho de 2025)
Legenda: Da mesma maneira como a febre nos alerta, outros sinais físicos também têm significados ocultos. Problemas respiratórios persistentes podem nos alertar para dificuldades de superar um luto.
Foto: Shutterstock

Vimos recentemente na guerra entre Israel e o Irã, o sistema de defesa aérea de Israel conhecido como “Domo de Ferro”. Este sistema é projetado para interceptar e destruir foguetes e projéteis que ameacem atingir áreas povoadas. Ele tem demonstrado sua eficácia e desempenha um papel significativo na proteção da população israelense contra-ataques.

Assim como o “Domo de Ferro” de Israel age para identificar e neutralizar ameaças externas, antes que elas causem destruição, nosso corpo possui sistemas de alerta naturais que se manifestam por meio de sintomas.

Cada um de nós precisa desenvolver seu “domo de ferro interior”, seu sistema protetor contra doenças que podem ser fatais. Nossos sintomas, nossas dores surgem como sinais invisíveis que não são vistos a olho nu, mas têm uma trajetória que pode ser identificada antes de adoecer. Da mesma maneira como a febre nos alerta para a presença de infecções e a necessidade de combatê-las, ou o burnout nos aponta para os excessos de um estilo de vida agitado e desequilibrado, outros sinais físicos também têm significados ocultos.

Uma dor de cabeça persistente pode estar nos mostrando que carregamos o peso de preocupações não resolvidas, ao passo que problemas de insônia podem apontar para uma mente inquieta, incapaz de desligar-se da pressão cotidiana. Problemas respiratórios persistentes podem nos alertar para dificuldades de superar um luto.

Em uma roda de terapia comunitária procurando decifrar as mensagens secretas de nossos sintomas, uma participante ao falar de uma pneumonia persistente confessa:

“há meses estou com problemas respiratórios persistentes e só comecei a melhorar quando descobri que nossos pulmões são a sede das tristezas e lutos ainda não resolvidos. Me dei conta de que há muito tempo não me divertia e que só cultivava tristezas. Quando recomecei a procurar me alegrar, visitar amigos, passear, os sintomas desapareceram completamente. Era o que estava faltando para completar meu tratamento”.

Outra participante falou de suas constantes dores nas costas que só desapareceram quando deixou de carregar o fardo pesado dos outros e superproteger pessoas queridas:

“Quando procurei ficar atenta no dar e receber, procurando deixar espaço para a reciprocidade, essas dores se foram”. Outra confessa que só curou sua gastrite quando descobriu que ela tinha a ver com suas mágoas e indigestões afetivas: “quando me afastei de relacionamentos tóxicos, me libertei de mágoas e ressentimentos através do perdão, pude me desintoxicar e tomar distância daquilo que estava azedando minha vida”.

Como vimos, cada sintoma é uma mensagem que, se decifrada a tempo, antes que se torne doença, revela uma história relacional mais profunda sobre o que estamos vivendo ou negligenciando. Ela nos oferece pistas para intervirmos nesse processo gerador de adoecimento. Se não fizermos nossa parte, os remédios não conseguem sozinhos ajudar em nossa cura.

Trata-se de exercer o autocuidado por meio de um diálogo consigo, tentando decifrar as mensagens de que nossos sintomas são portadores.

Esses sinais, como dores ou desconfortos, são comparáveis a mísseis invisíveis lançados por nós mesmos, pelo nosso inconsciente, para assinalar algo de nefasto que estamos fazendo contra nós mesmos, contra nosso bem-estar. Por exemplo, o aumento da glicemia nos alerta para a ingestão excessiva do açúcar refinado, que pode nos tornar diabéticos.

A pressão alta nos alerta para as tensões que estamos vivendo, agravadas por uma vida sedentária e uma alimentação não saudável. Se ignorados ou mal interpretados, podem resultar em impactos devastadores, tal como uma bomba não interceptada por nosso “domo interno” por nossa consciência e traria destruição de órgãos vitais.

Decifrar os sintomas, assim como Israel utiliza tecnologia para interceptar ameaças, exige uma atenção profunda e ferramentas adequadas. Doenças como câncer ou problemas digestivos não surgem do nada; elas carregam mensagens ocultas sobre aspectos negligenciados de nossas vidas, sejam físicos, emocionais ou espirituais. Identificar esses sinais, essas bombas, antes que nos destruam, é fundamental para evitar que suas consequências se tornem irreversíveis.

Da mesma forma, como indivíduos, somos convidados a adotar uma postura de vigilância interna, a cultivar a escuta de nosso corpo e a interpretação dos sinais por ele enviados. Cada sintoma, cada sensação desconfortável, pode ser comparado a um alarme silencioso que ecoa das profundezas de nosso ser, sinalizando a necessidade de ajuste, atenção ou mudança. Escutá-los é um ato de sabedoria, de coragem e autocuidado, pois nos permite antecipar as tempestades e os vendavais, antes que se tornem avassaladoras.

Assim como os sistemas de defesa precisam de manutenção e atualização constante para se manterem eficazes, nossos mecanismos internos de percepção e cuidado também necessitam ser ajustados e refinados ao longo da vida. Ignorar os sinais que nosso corpo nos envia equivale a deixar de atualizar um sistema de defesa, permitindo que ameaças cresçam e se intensifiquem.

É importante aprender a ouvir o que nosso corpo e nossa alma querem nos transmitir. Cada desconforto, cada dor ou angústia é uma oportunidade de reflexão, um convite para buscar equilíbrio e para nos tornar mais conscientes das escolhas que moldam nosso dia a dia. Assim como mísseis podem ser desarmados antes de causar danos, nossas dores podem ser compreendidas e ressignificadas, evitando que atinjam nosso corpo com um poder devastador.

O sistema de defesa de alguns países, como Israel, prevê atacar e desarmar as bombas antes que atinjam vidas e o refúgio em abrigos subterrâneos. Trata-se de uma dupla proteção: agir contra os mísseis e se refugiar em lugar seguro. Em nossos sistemas de defesa pessoal, também exige um duplo cuidado: decifrar as mensagens que eles nos trazem e só depois eliminar os sintomas por meio de medicamentos ou procedimentos cirúrgicos.

Eliminar um sintoma sem antes compreender sua mensagem é uma irresponsabilidade. Precisamos priorizar o autocuidado. Autocuidado é um ato de amor consigo mesmo e um compromisso com a saúde. Ao escutar os sinais do corpo e da mente, adotar hábitos saudáveis e buscar equilíbrio na vida, é possível prevenir doenças, promover o bem-estar e viver de forma mais saudável. Esses são nossos abrigos subterrâneos protetores.

Lembre-se: o autocuidado é uma necessidade essencial para uma vida saudável e equilibrada em um mundo conturbado e cheio de armadilhas contra a saúde e o bem-estar coletivo.

Autocuidado significa estar atento aos sinais que o corpo e a mente enviam e agir preventivamente para evitar desequilíbrios e problemas futuros. Assumir o autocuidado envolve uma série de atitudes práticas e reflexivas que ajudam a prevenir doenças e promover um estado geral de bem-estar. Aqui estão algumas pistas:

  • Escute o corpo e os sinais que ele envia: esteja atento às mensagens de seus sintomas! Preste atenção e busque entender esse sinal de alerta.
  • Manter hábitos de vida saudáveis como: alimentação balanceada: inclua frutas, vegetais, proteínas magras e grãos integrais em sua dieta, evitando o consumo excessivo de açúcar, sal e alimentos ultraprocessados.
  • Exercício físico regular: praticar atividades físicas ajuda a fortalecer o corpo, melhorar o humor e prevenir uma série de doenças, como hipertensão e diabete.
  • Hidratação: beber água suficiente é essencial para o bom funcionamento do organismo.
  • Sono de qualidade: dormir bem é fundamental para a recuperação física e mental.
  • Gerenciar o estresse: o estresse crônico pode impactar negativamente a saúde. Técnicas como meditação, respiração profunda, ioga ou simplesmente momentos de relaxamento podem ajudar a reduzir a tensão.
  • Realizar check-ups regulares: consultar profissionais de saúde permite regularmente a detecção precoce de possíveis problemas. Não espere que sintomas graves surjam para buscar ajuda.
  • Cultivar a saúde emocional: o autocuidado também envolve dar atenção à saúde mental. Permita-se expressar emoções. Lembre-se de que quando a boca se cala, os órgãos falam e quando a boca fala, os órgãos saram. Estabeleça limites saudáveis nas relações pessoais e profissionais.
  • Conectar-se consigo mesmo: reserve momentos para refletir sobre seus sentimentos, objetivos e necessidades. Isso pode ser feito por meio de práticas como meditar ou simplesmente dedicar um tempo para estar em silêncio.
  • Aprender continuamente: informar-se sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida pode ajudá-lo a tomar decisões mais conscientes. Participe de grupos de autoajuda, como as Rodas de Terapia Comunitária, troque experiências com outras pessoas e esteja aberto(a) a aprender com os desafios que surgirem.

O mais importante não é acertar ou errar, e sim aprender quando se acerta ou se erra. Enfim, adotar uma postura preventiva: assim como um sistema de defesa, como o “Domo de Ferro”, é necessário agir preventivamente para interceptar possíveis ameaças à saúde.

Prevenir é agir antes que problemas se agravem, que o mal-estar vire uma doença, ajustando posturas, estilos de vida e rotinas conforme necessário.

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor. 

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