Negócios

Construção cobra política definida do governo

Hoje, as construtoras teriam que passar um ano sem lançar nenhum empreendimento para vender todos os imóveis

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
20 de Maio de 2015 - 00:00
capa da noticia
Legenda: Marcos Novaes: 'me assustou, especificamente neste mês, o mau humor dos empresários'
Foto: FOTO: KID JÚNIOR

Sem uma política definida no País para a construção civil, empresários cearenses ligados ao setor já começam a ficar preocupados e mal-humorados com os impactos do ajuste fiscal no mercado local. Embora a situação no Ceará ainda seja confortável em relação a outros estados brasileiros, o segmento não conseguirá manter o bom desempenho com uma nova rodada de aumento de impostos, como sinaliza o Governo Federal.

> 103 empresas respondem por 90% do PIB do setor

No Estado, o estoque de unidades habitacionais é considerado baixo. As construtoras precisariam passar um ano sem lançar nenhum empreendimento para vender todos os imóveis, média que no País é superior a dois anos. No entanto, há estados que possuem estoque para até quatro anos.

"O que me assustou, especificamente neste mês de maio, foi o mau humor dos empresários. Pela primeira vez, estou preocupado com novas mudanças nas taxas de juros e ainda mais com um possível descontrole da inflação, o que colocaria a perder anos de conquista", destaca o presidente da Cooperativa da Construção Civil do Ceará (Coopercon-CE), que passa o cargo hoje (20) para o engenheiro João Carlos Lima.

Novaes já havia informado ao Diário do Nordeste que, em 2015, o setor trabalharia para alcançar desempenho semelhante ao de 2014. No ano passado, a Coopercon-CE registrou cerca de 60 lançamentos, que totalizaram R$ 4 bilhões em Valor Geral de Venda (VGV).

"Até agora, não houve nenhuma mudança no Brasil para incentivar a construção civil. Torço para que a situação seja pelo menos mantida, mas não existe previsibilidade. Em âmbito local, será de bom tamanho se tivermos um desempenho 5% menor neste ano", acrescenta.

De acordo com ele, o empresariado cearense está em busca de conhecer cada vez mais o perfil dos clientes, localizando a demanda certa para cada tipo de empreendimento, além de evitar um número excessivo de lançamentos imobiliários.

Segundo semestre

Com uma nova rodada de impostos do Brasil, Novaes diz que o impacto na construção civil será ainda maior, levando as construtoras a cortar gastos por meio de demissões no segundo semestre deste ano. "O setor continua blindado até um certo limite. Teremos que diminuir, no mínimo, 30% da mão de obra no Ceará, que atualmente gira em torno de 24 mil trabalhadores", informa. Por outro lado, Marcos Novaes diz que confia na atual equipe econômica do governo, que tem à frente o ministro da Fazenda da Fazenda, Joaquim Levy.

Ele lembra ainda que, mesmo diante do ajuste fiscal, os indicadores macroeconômicos do Brasil ainda são bons e os investimentos em obras de infraestrutura deverão continuar. Em relação ao corte estimado de R$ 70 bilhões no Orçamento de 2015, defende que está na hora de "o governo federal aprender a cortar na própria carne".