Importância do controle

Recentemente, o Ceará superou a marca de 100 mil casos de Covid-19. Foi em meados de março que o primeiro diagnóstico para a doença se confirmou no Estado. O número atual é maior do que o das populações de 175 dos 184 municípios do Estado. Os números brutos atestam a gravidade da pandemia, para que se reafirme a necessidade de manter medidas preventivas. O dado, contudo, não traduz todo o cenário, pois não deixa entrever os avanços que se conquistou nestes quase quatro meses de crise em solo cearense.

Entre as unidades da Federação, o Ceará é a que mais testa casos suspeitos da doença. A medida é particularmente importante, no caso da Covid-19, visto que um dos problemas relacionados à pandemia, observado em todo o mundo, é a subnotificação. Sem que se tenha precisão do quadro, torna-se mais difícil que se estabeleça uma estratégia eficiente de combate à doença. Os meses sob medidas rigorosas de distanciamento social também ajudaram a achatar a curva de contágio e melhorar os indicativos.

O número de óbitos, que já superam os 3 mil casos, tem felizmente desacelerado. No momento mais grave da pandemia no Estado, chegou-se a registrar 86 mortos por dia. A média atual é de 13 mortes. A quantificação, neste caso, pode parecer um tanto insensível, pois a perda da vida de pessoas é um bem maior e único. Contudo, o que a comparação permite que se perceba é, justamente, que mais vidas têm sido salvas. Não há dúvidas de que o mérito se deve às ações previdentes, do Estado, das instituições e do cidadão; e nos hospitais, hoje mais bem equipados e, agora, um pouco menos lotados do que nos dias de pico da pandemia.

Contra a doença, para a qual não há medicação que permita uma cura, com pronta recuperação, o que se pode almejar, de forma imediata, é o controle. Várias vacinas têm sido testadas em laboratórios de iniciativas transnacionais, mas apostar todas as fichas nesta solução é abdicar do que pode ser feito hoje, de forma segura e satisfatória, como se viu nas experiências mais bem-sucedidas no mundo.

Nesta semana, foi dada outra notícia positiva, relacionada ao combate à pandemia no Ceará. Trezentos novos respiradores chegarão ao Estado, para reforçar a estrutura de atendimento dos hospitais públicos. Apesar de os indicativos mostrarem reduções de taxas, os esforços de combate à Covid-19 continuam a ser intensificados, pois se sabe ser necessário atender à demanda dos municípios do interior. Hoje, mais de 60% dos casos da doença estão fora da Capital.

Historicamente, o interior do Ceará sofre com a falta de unidades médicas de alta complexidade que possam ser acessadas de forma ágil por quem precisa. Nos últimos anos, houve progresso nesta área, mas ainda há muito por avançar. O reforço aos hospitais no interior do Estado vai ao encontro do entendimento que a saúde precisa ser priorizada, onde quer que esteja o cidadão.

A pandemia, forçosamente, servirá de laboratório para a forma como as instituições públicas e privadas, assim como o cidadão, lidam com a questão fundamental da saúde. O socorro emergencial, adivinha-se, deixará um legado promissor para que investimentos e ações futuras sejam cada vez mais eficientes e abrangentes.


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