No futebol, a primeira impressão é a que não fica

Não há campeonato que já comece em alto nível. Até em Copa do Mundo é assim

jogador do ferroviário domina a bola no meio campo
Legenda: Não há como colocar em dúvida as vantagens do Ferrão, alicerçadas na sua estrutura na Barra, história, tradição e conquista de títulos
Foto: Lenilson Santos/Ferroviário AC

Nesta fase inicial do Campeonato Cearense, o Ferroviário é o favorito. Apesar do empate na estreia diante do Iguatu (1 x 1) no Estádio Morenão, não há como colocar em dúvida as vantagens corais, alicerçadas na sua estrutura na Barra, história, tradição e conquista de títulos. É lógico que histórico não ganha jogo. Se ganhasse, o Cruzeiro não teria desabado para a segunda divisão nacional. Mas, de qualquer maneira, tem significado sim.

O Iguatu, em casa, será sempre um adversário muito difícil. Aliás, nos primeiros jogos, que funcionam como cartão de apresentação, é impossível qualquer conclusão sobre os concorrentes. A questão coral é mais clara porque tido e havido como sendo o grande dessa fase. Por isso mesmo, sofre mais cobrança, mais pressão que todos os demais participantes.

O Campeonato Cearense começa como previsto, ou seja, com todas as equipes ainda em busca dos necessários ajustes. Não há campeonato que já comece em alto nível. Até em Copa do Mundo é assim. Só após algumas rodadas é que se tem o real padrão a ser seguido. Problema aqui é que, quando o time começa a encontrar o melhor desempenho, o campeonato estadual acaba. É uma “gracinha”.

Saudade

Partiu o meu amigo, João Rodrigues da Costa, que eu vi chegar para o Ceará na década de 1970. Atacante de muita raça. Um ponta-esquerda notável. Em 1971, fez parte do timaço que acabou com o jejum de sete anos sem título estadual em Porangabuçu. Seu depoimento no vídeo produzido pelo Ceará é emocionante.

Timaço

No depoimento, Da Costa diz que aquele time do Ceará, de 1971, tinha condições de enfrentar qualquer grande time do Brasil. É verdade. Prova disso foi a vitória do Vozão no jogo mil de Pelé pelo Santos, acontecido no PV. Vitória do Vozão, de virada, 2 x 1, gol de Da Costa aos 48’ do segundo tempo. Com Pelé em campo.

Campeão paulista

Em 1973, Da Costa sagrou-se campeão paulista pela Portuguesa, na polêmica decisão com o Santos. O árbitro Armando Marques errou a contagem na decisão por pênaltis. Dias depois, a Federação Paulista proclamou Portuguesa e Santos campeões. A medalha de campeão paulista ele recebeu das mãos de Badeco (da Portuguesa), já no PV, pois Da Costa tinha voltado para o futebol cearense.

A vida se vai

Sinto uma tristeza muito grande quando vejo o definitivo adeus dos ídolos. Fica um vazio. Narrei jogos em que Da Costa extrapolou. Show. Em novembro de 2021 morreu Pacoti. Em momentos assim eu vejo claramente que a vida se vai. Daqui mando meus sentimentos de dor ao ex-jogador Jorge Costa, irmão do Da Costa, e a todos os demais familiares do saudoso e querido ídolo.



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