Fortaleza: De uma casa alugada à Libertadores da América

Leia a coluna do Tom Barros desta quarta-feira (29)

A sede do Fortaleza se transformou em um Centro de Excelência para o futebol profissional
Legenda: Tricolor lidera o ranking desde 2019 como o clube com o maior número de patrocinadores, com 26
Foto: JL Rosa / SVM

Nas voltas mirabolantes que a vida dá, nem o maior de todos os adivinhos poderia imaginar o salto que o Fortaleza daria neste ano 2021 agonizante. No final da década de 1950, a sede do Leão era uma casa alugada na Rua Júlio César, na Gentilândia, bem perto do PV, entre a Rua Padre Francisco Pinto e a Rua Adolfo Herbster. Modesta. Improvisada. Na época era assim. Não havia as vultosas receitas de hoje. O clube dependia das rendas nos estádios e do bolso de alguns dirigentes apaixonados. Anos depois, o Leão passou a ter sede própria no Pici, sem os requintes de agora. Algumas vezes, essa sede quase foi a leilão, pois as dívidas do clube eram enormes. Foi salva pela ação de mecenas tricolores, que evitaram o pior. Atualmente, a moderna sede do Fortaleza revela o equilíbrio financeiro alcançado por uma gestão profissional. O rígido controle entre receitas e despesas trouxe a saúde financeira que, mediante contratações significativas, elevou padrão técnico da equipe. Daí às vitórias em campo e o êxito na Série A. Hoje, quem passa pela pequena casa da Rua Júlio César nem imagina que a ali um dia já foi a sede do hoje quarto melhor time do Brasil, com vaga até na Libertadores.    

Diferença 

Antigos dirigentes do Fortaleza, como o coronel Mozart Gomes e Otoni Diniz, tiveram de fazer das tripas coração para segurar a barra nos momentos mais difíceis. Outros tricolores, em épocas diversas, também deram valiosas contribuições financeiras. Optei por não citar outros nomes porque minha falha memória certamente me levaria a cometer omissões.  

Porangabuçu 

Na década de 1950, conheci a sede do Ceará em Porangabuçu. Era um estádio muito acanhado. O terreno tinha sido doado pela família “Alencar Pinto”. O gramado, no inverno, ficava impraticável. Não havia drenagem. Nos fins de semana pela manhã, o campo era aberto para os moradores do bairro e adjacências. Eu tinha dez anos. Como eu morava perto, ia lá com frequência. 

Estrutura 

Hoje não há como comparar a precária estrutura antiga com a moderna estrutura atual. A gestão profissional mudou tudo para melhor. Há um projeto, elaborado por arquitetos e engenheiros apaixonados pelo Ceará, que tem o objetivo de ampliar e modernizar o Estádio Carlos de Alencar Pinto. É bonito e ousado. Os altos custos são ainda um empecilho, mas poderá ser feito por etapas. 

Internacional 

Quem, como eu, viu Porangabuçu na década de 1950, jamais poderia imaginar ver agora o potencial alcançado pelo clube. O Vozão está definitivamente integrado à elite nacional, emplacando também duas participações seguidas numa competição internacional, ou seja, a Copa Sul-Americana. Um salto de qualidade que tende a ser maior, a continuar a atual política de austeridade do clube.