Alma, olhar, pureza e talento de ouro

Esbanjando talento, esta fantástica ginasta revelou uma calma poucas vezes vista em momentos de desafio extremo

rebeca
Foto: Jeff Pachoud/AFP

Dia primeiro de agosto. Por volta de 06:00 da manhã, em Tóquio, aconteceu a consagração de Rebeca Andrade, jovem brasileira, medalha ouro na prova de salto da Ginástica Olímpica. Emoções tomaram conta do Brasil. Lágrimas e sorrisos. De repente, os milhões de brasileiros, técnicos de futebol, passaram a entender tudo daquela prova. E mostravam-se capazes mesmo de darem notas corretas a cada movimento. Não precisaram de aulas nas academias para compreender o que Rebeca executava com tamanha perfeição. Rebeca, menina-moça, de 22 anos de idade, ainda tem aura juvenil. Sua voz meiga não perdeu o frescor dos tempos infantis.

E assim, esbanjando talento, esta fantástica ginasta revelou uma calma poucas vezes vista em momentos de desafio extremo. Ela domina a arte de saltar. Ela domina os nervos. Tem equilíbrio emocional e força mental vistos apenas nos atletas predestinados às grandes conquistas. Ela transmite um ar de ternura que envolve e encanta. A medalha dela era nossa. Estava também no nosso peito. Os olhos do mundo descobriram Rebeca. O Brasil descobriu Rebeca. Primeiro, de prata. Depois, de ouro. A glória nos gestos simples de uma notável campeã. 

Surf 

A Olimpíada de Tóquio tem ensinado muito. A medalha de ouro no surf, conquistada pelo potiguar Ítalo Ferreira, logo fez com que todos passassem a entender tubo, rasgada, aéreo, batida, cavada, floater... Por isso até opinaram com conhecimento de causa a injustiça cometida contra Medida na disputa com o japonês.  

Skate 

A medalha de prata conquistada pela maranhense Rayssa Leal, a Fadinha, também ampliou os interesses pelas manobras do skate. Rayssa, de apenas 13 anos, uma menina ainda, deu show de precisão e coragem. Hoje muita gente é capaz de descrever com precisão as manobras manual, ollie, pop shove-it, nollie, frontside Ollie e kicflip. Antes, isso ficava restrito ao grupo praticante. 

Futebol 

Os brasileiros são mais ligados no futebol. Os outros esportes ficam assim em segundo plano. Entretanto, as Olimpíadas são uma forma didática de mostrar ao mundo a importância das outras práticas esportivas. Não duvidem: foi o ouro do vôlei que fez esse esporte ganhar popularidade. Podem marcar: a ginástica, o surf e o skate vão ganhar milhares de adeptos. É assim que funciona. 

Conquistas 

A conquista é que faz crescer o interesse por este ou por aquele esporte. Tudo depende da repercussão. Quando Emerson Fittipaldi foi campeão na Fórmula-1 em 1972, logo surgiram Pace, Alex Dias Ribeiro, Piquet, Senna, Rubinho. Depois que os títulos sumiram com a morte de Senna, nunca mais o Brasil teve um piloto de ponta.  



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