As vidas de Brumadinho

A tragédia da barragem de rejeitos de minério de ferro do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), tem raízes no descaso, na obtenção do lucro a qualquer custo, no desrespeito para com as pessoas e a natureza. Repetindo o drama de Mariana, há pouco mais de três anos, o solo mineiro foi juncado pelos 13 milhões de metros cúbicos de lama da barragem, construída em 1976 e desativada pela mineradora Vale em 2015. A torrente de rejeitos desceu, arrasando tudo o que encontrou pela frente. Arrastou a mata, vitimou dezenas de funcionários que almoçavam nas imediações, moradores da região, com suas pousadas, plantações, criações de animais… E os danos à vida silvestre, com os pobres bichos totalmente sujos de lama, buscando proteção! A lama escoou também para o leito do rio Paraopeba, outrora piscoso, poluindo suas águas com elementos químicos usados na extração do minério de ferro. Peixes morreram e foi suspenso o abastecimento d’água dos municípios banhados pelo rio. O Paraopeba deságua no São Francisco, o rio da unidade nacional, que irriga terras mineiras e nordestinas. Alertam especialistas que, caso a lama tóxica atinja a hidrelétrica de Furnas, fatalmente entrará no Velho Chico, expandindo o rastro de destruição e contaminação pelo Nordeste, podendo até atingir a área da transposição das águas.

A Vale, acionista da Samarco, autora da tragédia de Mariana, o maior desastre ambiental do planeta causado pelo homem, tenta se justificar diante da catástrofe. Faltou monitoramento, sobrou desleixo. Mais de 400 outras barragens de rejeitos, como estarão? Vidas foram ceifadas. Sonhos, trabalho construído com esforço anos a fio, projetos para o futuro... Tudo posto abaixo pela ganância de empresas que sugam do solo a riqueza, sem se importarem com os efeitos dos desastres que causam. 
Poucas foram as vítimas de Mariana indenizadas pela Samarco até hoje. E, agora, Brumadinho. O que virá depois?


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