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O que muda no preço dos combustíveis no Ceará com o novo parque de tancagem do Pecém?

O empreendimento deve ampliar a infraestrutura de armazenamento e distribuição de combustíveis.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
23 de Maio de 2026 - 06:50
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Legenda: O empreendimento tem investimento de R$ 640 milhões e capacidade projetada de 240 mil m³.
Foto: Fabiane de Paula

Esperado há décadas, o novo terminal de armazenamento de combustíveis do Ceará, no Complexo do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, está previsto para entrar em operação no início do próximo ano. 

A estrutura tem capacidade projetada de 240 mil m³ e foi criada para ampliar a infraestrutura de armazenamento e distribuição de combustíveis na região, viabilizando a movimentação de gasolina, diesel, etanol, biocombustíveis, querosene de aviação e petróleo bruto.

O que mudará para o consumidor final?

Durante cerimônia realizada no novo parque na última quinta-feira (21), o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Ceará (Sindipostos), Manuel Novaes, afirmou que, num primeiro momento, a operação deve gerar uma redução de R$ 0,40 por litro nos custos de frete atualmente pagos para o abastecimento via Pernambuco.

Ele, no entanto, ponderou que é difícil prever se essa economia chegará às bombas, já que a precificação da gasolina depende de outros fatores, como a carga tributária incidente sobre o produto.

Para o consultor de petróleo e gás Bruno Iughetti, o novo parque resolve um problema estrutural antigo. "O Parque de Tancagem sendo construído no Pecém eliminará o gargalo atual provocado pela tancagem insuficiente instalada no Mucuripe para atender à demanda", afirmou. 

Segundo ele, com essa nova configuração logística, haverá redução dos custos de distribuição e, por consequência, um impacto de queda nos preços finais ao consumidor que pode chegar a R$ 0,50 por litro.

Iughetti estima que esse benefício chegue efetivamente ao bolso do cearense em julho de 2027, quando a nova tancagem estiver em plena operação.

Ele acrescenta que, além da tancagem, a chegada da refinaria da Noxis Energy ao Complexo do Pecém, prevista para o primeiro semestre de 2028, deve contribuir para a redução do custo dos combustíveis no Ceará. "Teremos um cenário completamente diferente para o abastecimento do Ceará", projeta.

Preços dos combustíveis no Ceará 

A gasolina comum custou em média R$ 6,81 por litro em Fortaleza na semana de 10 a 16 de maio, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP). 

No interior, os preços foram mais altos: Itapipoca registrou a maior média do Estado, com R$ 7,27 por litro, seguida de Iguatu (R$ 7,19) e Ico (R$ 7,07). Na outra ponta, Crateús teve o litro mais barato do interior, a R$ 6,61.

A diferença entre a cidade mais barata e a mais cara chega a R$ 0,95 por litro, variação de cerca de 14%. Só em Fortaleza, a diferença entre o posto mais barato (R$ 6,75) e o mais caro (R$ 7,19) representa R$ 22 a mais num tanque de 50 litros.

O etanol registrou uma média R$ 5,26 por litro No diesel, o S10 custou em média R$ 7,03 por litro no Estado, com pico de R$ 7,99 no posto mais caro.

Novo parque de tancagem já soma nove contratos 

O novo Parque de Tancagem do Grupo Dislub Equador, localizado no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), já soma nove contratos fechados. A informação foi confirmada pelo vice-presidente da empresa, Beto Carrilho, durante evento do “Dia D” da obra, que reuniu autoridades, parceiros e futuros clientes.

Com investimento de R$ 640 milhões e capacidade projetada de 240 mil m³, o empreendimento deve ampliar a infraestrutura de armazenamento e distribuição de combustíveis na região, permitindo a movimentação de gasolina, diesel, etanol, biocombustíveis, querosene de aviação e até petróleo bruto.

Durante o evento, o empreendimento foi apresentado como o maior terminal em construção do País, nascendo como o terceiro maior do Norte e Nordeste.

O prazo estimado para a conclusão das obras é dezembro deste ano, sendo o início das operações previsto para o primeiro trimestre do ano que vem. A informação é do CEO do Grupo Dislub Equador, Marcelo Campos Magalhães.

O novo parque apresenta, ainda, capacidade de expedição de até 1.500 caminhões por dia, 35 km de dutovias, terminal alfandegado, plataforma de carga e descarga, operação de importação e exportação e interação logística rodoferroviária com a ferrovia Transnordertina.

Confira a lista completa dos contratos firmados:

  • Petrobras;
  • Acelen;
  • Transnordestina;
  • Gambor;
  • Petroreconcavo;
  • Ale combustíveis;
  • Inpasa;
  • Binatural;
  • Vitol.

“Nós vamos fazer todo o escoamento da produção de petróleo da PetroReconcavo, o petróleo que eles produzem no Rio Grande do Norte. Então é um contrato muito interessante, porque vai além da mera distribuição de combustíveis, permite também o escoamento e a exportação de petróleo também produzido no Nordeste através do Porto do Pecém”, ressaltou Marcelo.

Os valores dos contratos não foram informados. De acordo com o CEO, a tancagem de produtos como hidrogênio verde e amônia não está nos planos do empreendimento no momento, mas pode ser avaliada futuramente. 

Com obras iniciadas em 2025, já são mais de 1.000 empregos diretos gerados, conforme informação de Marcelo. A expectativa é de 100 postos de trabalho permanentes após a conclusão do projeto. Esse é o 10º terminal construído pelo Grupo Dislub Equador. 

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