Técnico do Ferroviário expõe atrasos salariais e reuniões são marcadas para traçar rumos

Nuno Pereira afirmou que os problemas se arrastam há vários meses e dirigentes da associação vão cobrar gestores da SAF

Escrito por Brenno Rebouças brenno.reboucas@svm.com.br
27 de Julho de 2026 - 21:52 (Atualizado às 21:59)
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Legenda: Nuno Pereira é técnico do Ferroviário desde dezembro de 2025
Foto: kawesilvaphotos / FerroviárioAC

Após a queda do Ferroviário na Série D para o Goiatuba-GO, o técnico português Nuno Pereira admitiu, em entrevista coletiva, que o clube tem salários atrasados e disse que a situação teve reflexos dentro de campo. A situação será discutida na semana em reuniões dos dirigentes da parte associativa do clube com os gestores da SAF.

O treinador coral explicou que atrasos salariais se arrastam há meses no clube. Ainda assim, o Tubarão da Barra conseguiu avançar como líder do Grupo A7 na primeira fase da Série D e avançou em duas fases do mata-mata da competição, tendo caído apenas nas oitavas de final, com duas derrotas e um placar agregado de 5 a 1.

Eu poderia enumerar muitas coisas, mas essa (questão dos atrasos), claramente, tem uma grande margem de porcentagem daquilo que é nosso dia a dia, porque de fato quem trabalha merece ser recompensado. E nós trabalhamos com muitos problemas quase desde o primeiro mês. Foi problema atrás de problema. E esse foi muito bravo. É muita coisa em atraso. Somos pessoas dedicadas, esforçadas, procuramos dar nosso melhor e merecemos nossa recompensa. Não gostamos que nos digam que é amanhã (o pagamento), depois não é; não gostamos que nos digam que é no próximo mês, e depois não é. Eu sou humano, tenho família, os jogadores também tem, tem contas para pagar
Nuno Pereira
Técnico do Ferroviário

Sem mencionar nomes, Nuno afirmou que “gostaria que as pessoas responsáveis assumissem essa parte (dos problemas de gestão)” e revelou que na fila de atrasos salariais ele está “muito atrás”. O português também pediu que os atletas não fossem chamados de mercenários e enfatizou: “Esses jogadores foram uns guerreiros, por aquilo que se passou”.

O futebol do Ferroviário é controlado pelo Grupo Makes, que controla 90% das ações do time. O CEO da SAF é o também português Pedro Roxo. Na aprovação da venda, em fevereiro de 2025, a promessa foi de investimento de 10 milhões por ano enquanto o clube estivesse na Série D do Brasileiro.

Nuno não citou nenhum dirigente, mas cobrou publicamente quem faz a gestão do Ferroviário. "Das minhas responsabilidades em relação ao acesso eu não fujo, eu assumo, mas essa parte dos salários, falta de condições e muitas outras coisas que tem grande influência (em não conquistar o acesso), tem. Uma coisa é acontecer uma semana ou um mês, outra coisa é acontecer muitas semanas e muitos meses”, disse.

Providências

A presidência da parte associativa do Ferroviário convocou reuniões para a semana com os gestores da SAF, para discutir o assunto e traçar novos rumos a partir de agora. Uma coletiva de imprensa será convocada posteriormente para comunicar as decisões.

Os dirigentes da associação e do conselho deliberativo podem cobrar diretamente ao Grupo Makes, que comanda a SAF coral, caso entendem que o contrato firmado não está sendo cumprido à risca.

 

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