Convocação de Neymar é suco de Brasil: fé no futuro e decisão emocional

Jogador de 34 anos foi convocado para a quarta Copa do Mundo

Escrito por Gustavo de Negreiros jogada@svm.com.br
18 de Maio de 2026 - 18:17 (Atualizado às 18:25)
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Legenda: Neymar comemorando gol pelo Brasil.
Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Ancelotti virou brasileiro. Provavelmente embalado nos inúmeros sucessos da nossa maravilhosa música popular para se inspirar e tomar a decisão mais brasileira de todas, que foi convocar Neymar. Quem sabe tenha se deparado com Gonzaguinha em "E vamos à luta", talvez baixinho, num elevador da vida, ouviu Gilberto Gil entoar o seu "Andar com fé". Um Brasil cheio de dificuldades dentro e fora de campo, mas que deposita esperança no maior anti-herói que a bola já viu, chamado Neymar Jr. 

Quem liga se já não é o melhor jogador de outrora, quem vai se importar se não produz mais o mesmo, nem mesmo no Santos. Pra que razão, método, racionalidade, "pois o resto é besteira e nós estamos pelaí". Então Mr. Carlo Ancelotti resolve "Andar com fé (eu vou), Que a fé não costuma faiar".

Ora, somos o Brasil. Somos Carnaval. E Copa do Mundo é Carnaval. Somos aqueles que esquecem os problemas e têm fé naquilo que nem se vê. Somos filhos de portugueses que ainda aguardam Sebastião, dos navegadores que se lançaram ao mar.

Foi mirando um alvo que acertamos outro. Foi na eterna busca de qualquer coisa que nos identificamos como brasileiros. Um eterno País do futuro, que precisa ser alimentado por esse suco de ilusão. Talvez seja isso que faça a grande roda nacional girar.

E Carlin Ancelotti, já familiarizando com seu novo CPF brasileiro, mas ainda com algum olhar estrangeiro, deve ter reparado. Uma seleção apagada, sem alma, sem personalidade e sem esperança, como que jogou todo esse ciclo da Copa do Mundo de 2026, não teria faísca de esperança.

E Neymar talvez seja isso, uma fagulha de ilusão, misturado com polêmica. Vai funcionar? Provável que não. E a decepção vai existir. Mas decepção ainda é emoção. Melhor que a indiferença que cercava a Seleção mais vitoriosa de todos os tempos.

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