O presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Cearense de Futebol (FCF), Paulo Sílvio dos Santos, está suspenso do cargo. Antes licenciado por solicitação própria, o dirigente agora está afastado do cargo por determinação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que através de sua Comissão de Ética, instaurou sindicância para apuração das acusações realizadas por quatro árbitras cearenses.
O Diário do Nordeste apurou, com exclusividade, que a entidade nacional enviou à FCF ofício comunicando a punição, em decorrência de procedimento interno de investigação, que acontece com apuração paralela à sindicância da instituição cearense.
Com isso, o status de Paulo Sílvio não é mais de "presidente licenciado", e sim, suspenso. O que permite, por exemplo, que ele seja exonerado do cargo que ocupava desde 2026.
SINDICÂNCIA DA FCF
Qualquer decisão por parte da Federação Cearense de Futebol, porém, apenas ocorrerá ao fim da sindicância aberta no dia 17 de julho e que segue em andamento.
A entidade já ouviu as árbitras e aguardava o encaminhamento de documentos por parte das autoridades, o que ocorreu ao longo desta semana. O Diário do Nordeste apurou que, agora, o procedimento está em fase final, e a FCF dará o prazo de 10 dias para que Paulo Sílvio possa se manifestar oficialmente na entidade.
A ideia do presidente em exercício da FCF, Mauro Carmélio Neto, é de tomar medidas cabíveis quanto ao caso até o fim do mês de agosto.
Tornozeleira eletrônica
Na última quarta-feira (12), o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE) concedeu medida protetiva cautelar a uma das quatro árbitras que acusam o dirigente de assédio sexual. Paulo Silvio está proibido de manter contato com a profissional e terá que respeitar distância de 300 metros.
Para isso, a juíza Adriana da Cruz Dantas determinou que o dirigente utilize tornozeleira eletrônica, e que a árbitra receba um dispositivo apto a alertá-la sobre eventual aproximação do monitorado. O descumprimento da decisão é passível de decretação de prisão preventiva.
Afastamento do cargo
Paulo Silvio solicitou afastamento temporário do cargo de presidente da Comissão de Arbitragem da FCF no dia 14 de julho, mesmo dia em que as árbitras denunciaram o caso à Polícia Civil. No dia seguinte, a FCF instaurou uma investigação interna. Os trabalhos ainda não foram concluídos.
Espaço para defesa
O Diário do Nordeste contactou o advogado de Paulo Silvio, para saber se haveria algum posicionamento sobre a denúncia do Ministério Público, mas não recebemos retorno até o momento desta publicação. O espaço permanece aberto para atualização.
Na ocasião do registro dos primeiros BOs, o chefe de arbitragem negou as acusações. "O Sr. Paulo Silvio nega, de forma veemente, as alegações que lhe são atribuídas e afirma que jamais praticou qualquer conduta de assédio sexual, importunação sexual, violência sexual ou qualquer outro ato ilícito".
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