Sindicância da FCF sobre denúncias de assédio sexual a árbitras deve ser concluída em 20 dias

Presidente em exercício da federação quer resolver a situação antes mesmo do fim da licença de Paulo Silvio dos Santos

17 de Julho de 2026 - 17:30 (Atualizado às 17:32)
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Legenda: Comissão independente apura as denúncias das 4 árbitras contra Paulo Silvio
Foto: Brenno Rebouças/SVM

O presidente em exercício da Federação Cearense de Futebol (FCF), Mauro Carmélio Neto, deseja concluir os trabalhos de apuração interna sobre as denúncias de assédio sexual e estupro, feitas por quatro árbitras contra o chefe de arbitragem da entidade, em no máximo 20 dias.

A ideia do presidente é tomar medidas cabíveis quanto ao caso antes mesmo que Paulo Silvio dos Santos conclua o período de licença do cargo, que é de 30 dias e se iniciou na terça-feira (15).

Eu quero terminar isso (ajuntamento de provas), no máximo, na quarta ou quinta da próxima semana, para reunir todos os documentos. Aí dou mais uma semana para ele (Paulo Silvio) se manifestar e depois finalizo (a sindicância). Quero terminar isso em 20 dias, até antes da licença dele acabar.
Mauro Carmélio Neto
Presidente em exercício da Federação Cearense de Futebol

Acompanhe a cobertura do caso:

A instauração de uma comissão de sindicância ocorreu na terça, dois dias úteis após o dirigente ter tomado conhecimento, de forma detalhada, das denúncias. Mauro Neto explicou que é necessário fazer todo um processo de investigação por segurança jurídica.

Sei que parece que a gente ficou inerte, mas na verdade eu tenho que ter esse cuidado. Por ser advogado, eu tenho os dois pés atrás com o processo jurídico para poder tomar uma decisão. Eu sabia que se chegasse na sexta-feira, que foi quando eu conversei com elas (as árbitras), e já tirasse ele, eu poderia trazer para a Federação um problema com ele depois, então eu acho que tenho que resolver os dois problemas
Mauro Carmélio Neto
Presidente em exercício da FCF

Mauro Neto explicou que Paulo Silvio seria afastado da presidência da Comissão de Arbitragem junto com a criação da comissão de sindicância, mas antes mesmo da publicação da portaria que instaurou a investigação, o dirigente pediu o afastamento.

Acolhimento

A reunião marcada para ouvir as denunciantes não teve como local a sede da FCF. O presidente em exercício da Federação marcou para o escritório dos diretores jurídicos da entidade, com a intenção de não expor as árbitras.

"Colocamos uma advogada mulher para pegar o depoimento delas, a gente achou importante se sentirem mais seguras. Elas foram bem acolhidas e assistidas nesse momento. Quando, na sexta-feira, a gente recebeu as informações detalhadas de depoimentos das árbitras,a partir dali começamos nosso trabalho interno para tomar as providências cabíveis", disse.

A criação de um canal de comunicação específico para novas denunciantes (sindicancia@futebolcearense.com.br), caso hajam, também tem a intenção de reunir provas à respeito do caso. "A gente criou para receber qualquer tipo de outras denúncias que tenham interesse, prova ou alguma coisa do tipo. Estamos aguardando o que vai vir de provas, vamos dar mais alguns dias e juntar tudo, aí a gente vai chamar ele para se manifestar e no final sai o relatório e deste a presidência toma a decisão final do que deve ser feito", relatou o passo a passo, o dirigente.

Sem histórico

Paulo Silvio está licenciado do cargo de presidente da Comissão de Arbitragem da FCF
Legenda: Paulo Silvio está licenciado do cargo de presidente da Comissão de Arbitragem da FCF
Foto: Pedro Chaves/FCF

Questionado se nunca havia ouvido qualquer relato de assédio sexual dentro da arbitragem cearense, Mauro Neto foi enfático: “Não tínhamos conhecimento, não havia chegado nenhuma denúncia, não tinha nenhuma informação de que havia ocorrido o que foi relatado pro elas na sexta-feira [...] Não passava pela nossa cabeça que isso pudesse estar acontecendo durante todo esse tempo aqui", afirmou.

O dirigente relatou que, em junho, chegou a ser procurado por alguns árbitros homens e eles informaram que algumas árbitras mulheres gostariam de uma reunião com a presidência da Federação para apresentar denúncias, mas sem especificar de que natureza e sem dar qualquer detalhe. Foi combinado ali que após retornar de uma viagem ao Estados Unidos, para acompanhar a Copa do Mundo, o pedido da reunião seria atendido.

Relembre o caso

Quatro árbitras de futebol acusam Paulo Silvio de assédio sexual e estupro. As queixas foram registradas na última terça-feira (14), na 1ª Delegacia de Polícia Civil da Defesa da Mulher, que deu abertura à investigação criminal.

Além dos episódios de assédio moral e sexual, uma árbitra informa em BO que, em 2023, durante uma confraternização entre os profissionais, o presidente da comissão de arbitragem tentado forçar relações sexuais sem consentimento, e após isso teria tocado em suas partes íntimas.

O dirigente solicitou afastamento temporário do cargo de presidente da Comissão de Arbitragem da FCF por 30 dias, na terça-feira (14). Após o período da licença, no entanto, Paulo Silvio já informou que não retornará ao cargo que exerceu durante nove anos na entidade.

Dirigente nega

O presidente licenciado da Comissão de Arbitragem nega as acusações. "O Sr. Paulo Silvio nega, de forma veemente, as alegações que lhe são atribuídas e afirma que jamais praticou qualquer conduta de assédio sexual, importunação sexual, violência sexual ou qualquer outro ato ilícito".

Investigações

Em nota, a Polícia Civil informa que "investiga denúncias de crimes contra a dignidade sexual" contra árbitras de futebol desde a última terça-feira (14), quando foi registrado BO pelas denunciantes.

Nessa quarta-feira (15), a FCF instaurou um procedimento interno de apuração. Um canal de comunicação foi criado para que possíveis novas denúncias possam ser registradas. O e-mail sindicancia@futebolcearense.com.br será o endereço eletrônico para receber mais relatos.

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