"Todos da Comissão de Arbitragem do Ceará sabiam dos casos de assédio sexual", relata árbitra

Árbitras denunciam, em entrevista exclusiva, uma prática sistemática de assédio sexual e intimidação praticada pelo chefe de arbitragem do Ceará

Escrito por André Almeida, Brenno Rebouças e Crisneive Silveira jogada@svm.com.br
16 de Julho de 2026 - 12:50
  • “Você acha normal chegar em uma árbitra e abraçar por trás? Uma árbitra estar no vestiário, ajeitando o material de jogo dela, e você puxar o short?".
  • "Quando você está de short, está mais esportiva, ele ficava: 'Ah, tá bonita! Tá ganhando corpo'. Aí vinha o abraço maldoso novamente. Quando íamos tirar foto, passava por trás e dava um abraço por trás".
  • "Ele chegou a me ameaçar, porque ele soube que eu estava perguntando a outras meninas se tinham sido assediadas por ele".

As denúncias acima, feitas por um grupo de árbitras contra o presidente licenciado da Comissão de Arbitragem da Federação Cearense de Futebol (FCF), Paulo Silvio dos Santos, representam o estopim de uma rotina de frequentes episódios de assédios. 

É o que relatam as mulheres, em entrevista exclusiva ao Sistema Verdes Mares, descrevendo os hábitos do dirigente em uma prática sistemática de importunação, constrangimento e perseguição desde 2018.

Acompanhe a cobertura do caso:

As árbitras, que tiveram os nomes preservados nesta reportagem, afirmaram que o então chefe da arbitragem cearense, que estava no cargo desde 2017 até esta semana, e era o responsável pela determinação de quais profissionais atuam em cada partida, sugeria favorecimento em escalas e desenvolvimento de carreira para as que cedessem às suas investidas.

Segundo elas, todos na comissão de arbitragem da FCF sabiam da rotina de assédios morais e sexuais.

Confira, no vídeo acima, trecho da entrevista. Alerta: o conteúdo é sensível sobre violência sexual.

RELEMBRE O CASO

Quatro árbitras de futebol acusam Paulo Silvio de assédio sexual e estupro. As queixas foram registradas na última terça-feira (14), na 1ª Delegacia de Polícia Civil da Defesa da Mulher, que deu abertura à investigação criminal.

O dirigente solicitou afastamento temporário do cargo de presidente da Comissão de Arbitragem da FCF por 30 dias, na terça-feira (14). Após o período da licença, no entanto, Paulo Silvio já informou que não retornará ao cargo que exerceu durante nove anos na entidade.

DIRIGENTE NEGA

O presidente licenciado da Comissão de Arbitragem nega as acusações. "O Sr. Paulo Silvio nega, de forma veemente, as alegações que lhe são atribuídas e afirma que jamais praticou qualquer conduta de assédio sexual, importunação sexual, violência sexual ou qualquer outro ato ilícito".

Nessa quarta-feira (15), a FCF instaurou um procedimento interno de apuração. Um canal de comunicação foi criado para que possíveis novas denúncias possam ser registradas. O e-mail sindicancia@futebolcearense.com.br será o endereço eletrônico para receber mais relatos.

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