- “Você acha normal chegar em uma árbitra e abraçar por trás? Uma árbitra estar no vestiário, ajeitando o material de jogo dela, e você puxar o short?".
- "Quando você está de short, está mais esportiva, ele ficava: 'Ah, tá bonita! Tá ganhando corpo'. Aí vinha o abraço maldoso novamente. Quando íamos tirar foto, passava por trás e dava um abraço por trás".
- "Ele chegou a me ameaçar, porque ele soube que eu estava perguntando a outras meninas se tinham sido assediadas por ele".
As denúncias acima, feitas por um grupo de árbitras contra o presidente licenciado da Comissão de Arbitragem da Federação Cearense de Futebol (FCF), Paulo Silvio dos Santos, representam o estopim de uma rotina de frequentes episódios de assédios.
É o que relatam as mulheres, em entrevista exclusiva ao Sistema Verdes Mares, descrevendo os hábitos do dirigente em uma prática sistemática de importunação, constrangimento e perseguição desde 2018.
Acompanhe a cobertura do caso:
- Chefe de arbitragem no Ceará é investigado por assédio e estupro após denúncia de 4 árbitras de futebol
- FCF cria comissão para apurar denúncias de assédio sexual e estupro contra chefe da arbitragem
- Exclusivo: Árbitras de futebol relatam rotina de assédios cometidos por chefe de arbitragem no Ceará
As árbitras, que tiveram os nomes preservados nesta reportagem, afirmaram que o então chefe da arbitragem cearense, que estava no cargo desde 2017 até esta semana, e era o responsável pela determinação de quais profissionais atuam em cada partida, sugeria favorecimento em escalas e desenvolvimento de carreira para as que cedessem às suas investidas.
Segundo elas, todos na comissão de arbitragem da FCF sabiam da rotina de assédios morais e sexuais.
Confira, no vídeo acima, trecho da entrevista. Alerta: o conteúdo é sensível sobre violência sexual.
RELEMBRE O CASO
Quatro árbitras de futebol acusam Paulo Silvio de assédio sexual e estupro. As queixas foram registradas na última terça-feira (14), na 1ª Delegacia de Polícia Civil da Defesa da Mulher, que deu abertura à investigação criminal.
O dirigente solicitou afastamento temporário do cargo de presidente da Comissão de Arbitragem da FCF por 30 dias, na terça-feira (14). Após o período da licença, no entanto, Paulo Silvio já informou que não retornará ao cargo que exerceu durante nove anos na entidade.
DIRIGENTE NEGA
O presidente licenciado da Comissão de Arbitragem nega as acusações. "O Sr. Paulo Silvio nega, de forma veemente, as alegações que lhe são atribuídas e afirma que jamais praticou qualquer conduta de assédio sexual, importunação sexual, violência sexual ou qualquer outro ato ilícito".
Nessa quarta-feira (15), a FCF instaurou um procedimento interno de apuração. Um canal de comunicação foi criado para que possíveis novas denúncias possam ser registradas. O e-mail sindicancia@futebolcearense.com.br será o endereço eletrônico para receber mais relatos.
Acompanhe a cobertura do caso: