As precipitações registradas no Ceará entre junho e julho ficaram em torno da média histórica para o bimestre, com 36.1 milímetros (mm) observados. Apesar disso, o acumulado é cerca de 30,9% menor que a normal meteorológica, de 52.2 mm.
O desvio negativo é o maior desde 2018, ano em que as chuvas do bimestre ficaram 53,7% abaixo da média, com 24.2 mm. Nos anos seguintes, os resultados variaram bastante, com um desvio positivo excepcional de 95.7% em 2022 (102.3 mm) e de -29% em 2023 (37.1 mm).
Os dados são do Calendário de Chuvas da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), coletados pelo Diário do Nordeste na tarde desta segunda-feira (3).
Com 26.7 mm, o mês de junho teve um registro abaixo da média histórica, que é de 37.2 mm. No entanto, o valor está na faixa considerada dentro da normalidade, que vai de 24.6 mm a 49.8 mm.
A macrorregião do Maciço de Baturité foi a que registrou maior acumulado em junho, com 102.4 mm — onde Pacoti (191,1 mm) e Guaramiranga (176,4 mm) tiveram as maiores precipitações. O menor volume armazenado foi no Cariri, onde foram observados 12.9 mm.
Em julho, o volume registrado foi de 9.4 mm e também ficou dentro da normalidade, faixa que compreende 8.8 mm a 21.3 mm. Os destaques relevantes são da macrorregião do Litoral de Fortaleza, com o acumulado de 25 mm (maior do mês), e Jaguaribana, com 5.4 mm.
Na pós-estação chuvosa, segundo a Funceme, o principal fenômeno indutor de precipitações é a atuação dos Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOLs) — chamados de “Ondas de Leste”. São perturbações no campo de vento e pressão na região equatorial do Oceano Atlântico, oriundas do Leste.
Os DOLs diminuem a pressão atmosférica em superfície e formam áreas de instabilidades, causando chuvas ao longo de sua trajetória por transportar grandes quantidades de umidade.
10 maiores acumulados entre junho e julho
- Pacoti: 292.9 mm;
- Guaramiranga: 292.8 mm;
- Trairi: 211.4 mm;
- Palmácia: 187.8 mm;
- Mulungu: 181.7 mm;
- Guaiúba: 172.1 mm;
- Redenção: 160.9 mm;
- Maracanaú: 155.2 mm;
- Aratuba: 148.8 mm;
- Aquiraz: 136.9 mm.
Situação dos açudes cearenses
Conforme o Portal Hidrológico do Ceará, até esta segunda-feira (3), cinco reservatórios estão sangrando, 43 estão com volume acima de 90% e 28 com armazenamento inferior a 30%.
Ao todo, o Estado possui um volume acumulado de 9.31 bilhões de metros cúbicos (m³), que representa mais da metade do valor total.