Fortaleza lança clube do livro focado em autores negros; veja como participar
A iniciativa é da Casa da Igualdade Social Fortaleza e já tem encontro agendado para junho.
Um clube de leitura imerso em literatura negra brasileira e que exercita o pensamento crítico a partir das realidades de pessoas não brancas em metrópoles como Fortaleza. Este é o objetivo do Clube do Livro Fortaleza Negra, programação da Casa da Igualdade Social Fortaleza, que está com inscrições abertas para todos os públicos.
Os três primeiros encontros vão acontecer nas últimas sextas dos meses e discutirão a Trilogia da Terra - Torto Arado (2019), Salvar o Fogo (2023) e Coração Sem Medo (2025) - escrita pelo autor baiano Itamar Vieira Junior.
Na biblioteca da Casa da Igualdade Racial de Fortaleza, localizada na Rua Jaime Benévolo, número 21, no Centro da cidade, será feito encontro para apresentar a vida e obra do autor baiano, em junho, e para discutirem cada livro em julho, agosto e setembro (respectivamente).
Sem restrições, qualquer cidadão pode submeter inscrição, até a próxima segunda (22), por meio de formulário online.
Casa da Igualdade Racial de Fortaleza
Inaugurada em abril deste ano, a Casa da Igualdade Racial de Fortaleza - primeiro equipamento desta natureza no Nordeste - orienta pessoas negras a acessarem serviços de saúde, educação, assistência social, direitos humanos e cultura, além de dar suporte jurídico e psicossocial a vítimas de racismo. Lá, está em construção uma biblioteca "afrocentrada", ocupada por autores pretos e que discutam a temática afro-brasileira.
A iniciativa de ocupar a biblioteca da Casa com um clube de leitura parte de Rômulo Silva, que está à frente da organização do projeto, da curadoria e da formação. À reportagem, o professor doutor e pesquisador de Sociologia aponta que o nome do clube "Fortaleza Negra" denota um dos objetivos da iniciativa de leitura: um enfrentamento ao mito de que não existe negro no Ceará.
O Brasil é marcado por um tipo de racismo muito perverso, que é o do negacionismo. Ao mesmo tempo que nega, celebra uma falsa igualdade racial, que é inexistente. Se não existe negro, logo não existe políticas públicas, seja no âmbito da leitura, seja no âmbito da saúde, da moradia, da educação, do lazer, da cultura.
Os diálogos sobre as obras serão seguidos de reflexões sobre a realidade de Fortaleza e as cidades do Ceará, com olhares sobre o funcionamento das instituições e relações ao longo da história. A escolha pela literatura de Itamar Vieira Jr., segundo Rômulo, se dá por retratarem as lutas, modos de vida de existência afro-brasileira, além da violência colonial que se apresenta nas estruturas do cotidiano.
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Para o sociólogo, a negação da existência do negro é reflexo do modo de violência, ainda que esse apagamento não convirja com as informações do Fórum de Segurança Pública Brasileira. "Os dados mostram isso. O número de pessoas encarceradas, as pessoas que estão na linha ou abaixo da linha da pobreza, a cifra de pessoas que são criminalizadas e mortas... A maioria são pessoas negras".
Depois da imersão na Trilogia da Terra, o idealizador vislumbra o mergulho em intelectuais e literatos cearenses, a depender da adesão coletiva. Pessoas não brancas, quilombolas, indígenas, moradores de favela, comunidade LGBTQIAPN+, pessoas de dentro e de fora da academia estão contemplados dentro da proposta de público alvo do clube de leitura da Casa da Igualdade Racial.
Como participar do Clube do Livro Fortaleza Negra
- Inscrições até 22 de junho neste link.
- Vagas limitadas
- Encontros realizados às 14h das últimas sextas do mês, a começar no dia 26/06
- Rua Jaime Benévolo, 21 – 2º andar, Centro, Fortaleza (CE)
*Estagiária sob supervisão da jornalista Dahiana Araújo.