Marieta Severo faz 80 anos: relembre personagens marcantes da atriz em novelas, filmes e séries

Atriz faz aniversário em 2 de novembro.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
31 de Outubro de 2026 - 12:04
capa da noticia
Legenda: Marieta em seu mais recente trabalho, a série "Dom de Iludir".
Foto: Divulgação/Netflix.

Prestes a completar 80 anos, a atriz Marieta Severo reúne uma trajetória de seis décadas marcada por personagens que atravessaram diferentes gerações da dramaturgia brasileira. Do teatro ao cinema, passando por trabalhos na televisão, a artista construiu uma carreira com papéis como Nenê, de “A Grande Família”, e personagens em “Laços de Família”, “Verdades Secretas” e “O Outro Lado do Paraíso”.

Atualmente, a atriz vive fase de grande visibilidade profissional, compondo o elenco de “Dom de Iludir”, série lançada pela Netflix neste mês. Na produção, ela interpreta Lúcia Rossetti, uma colecionadora de arte que enfrenta uma relação conturbada com a filha, Maíra, vivida por Alice Wegmann. 

Em entrevista durante o lançamento, Marieta defendeu a tradição brasileira no gênero e destacou a experiência acumulada pela teledramaturgia nacional. “Esse DNA, nós, brasileiros, temos. Fazemos isso há 50 anos e com uma excelência no mundo, né?”, afirmou. 

Nascida no Rio de Janeiro, Marieta iniciou a carreira artística em 1965, aos 19 anos, com participações no cinema e no teatro. No ano seguinte, estreou na televisão com a novela “O Sheik de Agadir”, da TV Globo. Desde então, acumulou participações em mais de 30 peças, dezenas de filmes e mais de 20 produções televisivas, entre novelas, minisséries e seriados.

Legado na televisão

Depois da estreia, Marieta passou por produções como “O Homem Proibido” e “E Nós, aonde Vamos?”, antes de retornar à televisão na década de 1980. A atriz ganhou projeção com trabalhos em novelas como “Champagne” (1983), “Vereda Tropical” (1984) e “Ti-Ti-Ti” (1985).

Outro papel de destaque foi Madeleine Bouchet, de “Que Rei Sou Eu?” (1989), personagem que a própria atriz definiu como uma heroína idealista e com características pré-feministas. Ao longo dos anos seguintes, também integrou o elenco de produções como “Deus nos Acuda” (1992), “Pátria Minha” (1994) e “Laços de Família” (2000), na qual interpretou Alma.

O reconhecimento de diferentes gerações de telespectadores, entretanto, está especialmente associado à personagem Nenê, matriarca da família Silva em “A Grande Família”. Exibido entre 2001 e 2014, o seriado acompanhou o cotidiano de uma família de classe média e permaneceu por 14 temporadas na programação da Globo.

Na produção, Marieta contracenou com Marco Nanini, que interpretava Lineu, seu marido na ficção. A personagem se tornou uma das mais conhecidas da carreira da atriz, que voltou a participar de novelas em trabalhos como “Verdades Secretas” (2015), “O Outro Lado do Paraíso” (2017) e “Um Lugar ao Sol” (2021).

Carreira no cinema

A carreira de Marieta também atravessou diferentes momentos do cinema brasileiro. Sua estreia ocorreu com “Society em Baby-Doll” (1965). Posteriormente, integrou o elenco de filmes como “Todas as Mulheres do Mundo” (1967), “Chuvas de Verão” (1978) e “Bye Bye Brasil” (1979), dirigido por Cacá Diegues.

Na década de 1990, participou de “Carlota Joaquina, Princesa do Brazil” (1995), de Carla Camurati, obra considerada um marco da retomada do cinema nacional. Também atuou em “Guerra de Canudos” (1997) e “Castelo Rá-Tim-Bum, o Filme” (1999).

Já em 2004, esteve em “Cazuza - O Tempo Não Para”, produção que retrata a trajetória do cantor e compositor Cazuza. Ao longo da carreira, recebeu reconhecimentos em festivais e premiações, entre eles o Troféu Oscarito, concedido pelo Festival de Cinema de Gramado em 2002, em homenagem à contribuição da artista para o audiovisual brasileiro.

Em 2025, ao completar 60 anos de carreira, Marieta fez uma reflexão sobre a própria trajetória em entrevista à revista IstoÉ. A atriz contou que nem sempre teve confiança no talento e nas possibilidades de sucesso profissional, apesar da dedicação ao trabalho.

“Eu fico olhando a menina lá atrás, que achava que era muito ruim, que não tinha talento, que não ia conseguir nunca nada, mas que batalhava, batalhava, que tinha uma seriedade de escolha e de maneira de estar na profissão”, declarou.

A artista também afirmou que a comemoração dos 60 anos de carreira a levou a revisitar trabalhos e escolhas profissionais. “De repente, eu tenho que olhar para trás, tenho que rever coisas que eu fiz, o que eu não faria naturalmente”, refletiu.

Empreendedorismo no Teatro Poeira

Além dos trabalhos diante das câmeras e nos palcos, Marieta Severo também construiu uma atuação importante na administração e na produção cultural. Em 2005, ao lado da atriz Andréa Beltrão e do diretor teatral cearense Aderbal Freire-Filho, seu então marido, ela inaugurou o Teatro Poeira, localizado no bairro de Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro.

A iniciativa nasceu de uma amizade que começou no teatro. Marieta e Andréa se conheceram durante a montagem de “A Estrela do Lar”, em 1989, espetáculo de Mauro Rasi. A parceria artística continuou em produções como “A Dona da História” (1996), “Sonata de Outono” (2005), “As Centenárias” (2007) e “O Espectador” (2022).

O Teatro Poeira abriu as portas em 23 de junho de 2005, com a montagem de “Sonata de Outono”, de Ingmar Bergman, dirigida por Aderbal. Duas décadas depois, o espaço permanece como uma das iniciativas culturais conduzidas pelas atrizes no Rio de Janeiro.

Em 2011, a parceria também deu origem ao Teatro Poeirinha, um segundo espaço dedicado às artes cênicas. A proposta ampliou a atuação das artistas na produção teatral, com a apresentação de espetáculos e o incentivo a diferentes projetos.

Exílio na Ditadura Militar e vida pessoal

A trajetória de Marieta também foi marcada por acontecimentos políticos e pessoais. Durante a ditadura militar, a atriz viveu no exílio ao lado do cantor e compositor Chico Buarque, com quem foi casada. O casal deixou o Brasil em 1969, após o agravamento da repressão política, e passou um período na Europa.

Em entrevista ao jornal O Globo, publicada às vésperas de seu aniversário, Marieta relembrou as dificuldades daquele período. A atriz contou que estava grávida da primeira filha, Silvia, quando precisou deixar o País. A criança nasceu no exterior, e a experiência foi marcada por dificuldades emocionais e financeiras. “Eu emagreci seis quilos no oitavo, nono mês de gravidez”, recordou.

A atriz também falou sobre a morte de Aderbal Freire-Filho, com quem manteve um relacionamento por quase duas décadas. Os dois se conheceram quando Marieta já tinha mais de 50 anos e, segundo ela, a relação foi marcada pela certeza do sentimento que compartilhavam.

“A gente se apaixonou com 50 e tantos anos, então sabia exatamente o valor disso. Não tinha dúvidas, pequenas questões, nada. Tinha a coisa central, que era o amor e viver aquilo”, afirmou.

Ao falar sobre o envelhecimento, Marieta também abordou o etarismo na indústria audiovisual. Embora reconheça as dificuldades enfrentadas por mulheres mais velhas para conseguir papéis de protagonismo, a atriz afirmou estar vivendo um período especialmente produtivo. “O que está acontecendo com o cinema nacional que está precisando tanto de velha?”, questionou.