Crime real envolvendo R$ 725 milhões inspirou série ‘Dom de Iludir’ da Netflix; veja semelhanças

Nova série da Netflix é protagonizada por Marieta Severo e Alice Wegmann.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
04 de Novembro de 2026 - 10:32 (Atualizado às 11:04)
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Legenda: Mãe e filha Geneviève e Sabine Boghici (respectivamente, na foto da esquerda) são apontadas como inspiração para personagens Maíra e Lúcia Rosseti (Alice Wegmann e Marieta Severo, na foto da direita).
Foto: Reprodução e Netflix/Divulgação.

Um crime real ocorrido no Rio de Janeiro em 2022, envolvendo herdeiras do mundo da arte, supostas videntes e um prejuízo calculado em R$ 725 milhões, vem sendo apontado com inspiração para “Dom de Iludir”, nova série brasileira da Netflix.

A obra é protagonizada pela colecionadora de arte Lúcia Rossetti (Marieta Severo), que descobre uma doença grave na filha, Maíra (Alice Wegmann), e recorre à terapeuta espiritual Irina (Nanda Costa).

Como o nome da série indica, “Dom de Iludir” é marcada por desconfianças entre as personagens e entrega inúmeras reviravoltas na trama. Parte delas, porém, teria sido inspirada no caso real da família Boghini. Não há confirmação sobre a inspiração.

Os paralelos entre ficção e realidade, no entanto, têm chamado a atenção nas redes sociais. O crime ocorrido, inclusive, “revela” alguns dos mistérios da série. 

Relembre o caso Boghini

Em 2022, uma mulher foi presa por suspeita de roubar R$ 725 milhões da própria mãe, uma idosa de 82 anos, no Rio de Janeiro. 

As envolvidas no caso são, respectivamente, Sabine Coll Boghici e Geneviève Rose Marie Coll Boghici, respectivamente filha e esposa do colecionador de arte e marchand Jean Boghici.

Segundo investigações da época, Sabine teria arquitetado o plano que enganou, ameaçou e extorquiu a mãe. Entre os ajudantes, estava Rosa Stanesco Nicolau, que se apresentava como a vidente Mãe Valéria de Oxóssi.

Sabine Boghici foi presa em meio às investigações sobre o golpe
Legenda: Sabine Boghici foi presa em meio às investigações sobre o golpe
Foto: reprodução/redes sociais

Sabine teria contratado pessoas da família de Rosa para se aproximarem de Geneviève. Na abordagem, uma das falsas videntes teria dito à idosa que a filha dela poderia morrer em breve e que um "trabalho espiritual" precisava ser feito.

A primeira vidente era Diana, meia-irmã de Rosa. A previsão compartilhada com Geneviève foi, depois, confirmada por Jacqueline, prima dela, e finalmente pela própria Rosa.

Segundo as investigações, a idosa dividiu a informação com a filha, que fingiu surpresa e medo e, então, pressionou a mãe para pagar pelo "trabalho". Em 15 dias, R$ 5 milhões foram repassados aos golpistas.

Após o início do "tratamento", Sabine passou a isolar a mãe em casa, dispensando funcionários e outros prestadores de serviço. Quando Geneviève começou a desconfiar da proximidade da filha com as "videntes", Sabine reagiu ameaçando e agredindo a mãe.

Semelhanças — e diferenças — com “Dom de Iludir”

As reviravoltas da série da Netflix espelham o crime ocorrido. Na ficção, o espectador é levado a questionar a veracidade da vidente Irina, até descobrir que ela está mancomunada com Maíra.

Os universos da elite carioca e do mundo da arte também são apontados como semelhanças entre a obra e o caso real.

As investigações do crime levaram, ainda, à revelação de que Sabine e Rosa se envolveram romanticamente. O fato é levado à ficção, com romance entre as personagens Irina e Maíra.

Veja trailer de 'Dom de Iludir'

Na vida real, o casal de golpistas foi preso, bem como outros membros da família de Rosa envolvidos no crime. Isso também ocorre na ficção, mas a trama muda alguns fatos da realidade.

Em "Dom de Iludir", Maíra consegue a liberdade e volta a viver com a mãe. Na vida real, Sabine Boghici chegou a ganhar liberdade provisória em março de 2023, mas não se reaproximou da mãe.

Seis meses depois, a herdeira morreu após cair de um prédio, em um suposto suicídio. Em entrevista ao O Globo publicada em janeiro de 2026, Geneviève Boghici afirmou que acredita que a filha foi vítima da vidente Rosa Stanesco Nicolau, companheira dela, em busca de parte da herança da família.

Ao jornal, a idosa afirmou que os quadros valiosos foram usurpados pelas criminosas sob justificativa de que precisavam ser "benzidos".

Geneviève disse ao O Globo, ainda, que a filha "se transformou" e a ameaçou com um facão. Ela denunciou o crime após conseguir fugir do estado de cárcere privado ao qual foi submetida.