Marieta Severo destaca excelência do melodrama brasileiro em 'Dom de Iludir': 'Nossa sabedoria'

Nova série da Netflix, lançada na última semana, traz referências do gênero em narrativa para streaming.

Escrito por
Mylena Gadelha mylena.gadelha@svm.com.br
Legenda: Marieta Severo e Alice Wegmann dividem cena como Lúcia e Maíra, que são mãe e filha na série de melodrama.
Foto: Divulgação/Netflix.

Para Marieta Severo, uma das protagonistas de 'Dom de Iludir', novo melodrama da Netflix lançado na última quarta (28), a excelência brasileira na teledramaturgia é um trunfo das produções do País. "Esse DNA, nós brasileiros temos. Fazemos isso há 50 anos e com uma excelência no mundo, né?", opinou a atriz em coletiva de lançamento da série.

O assunto veio à tona justamente por 'Dom de Iludir' ser mais uma aposta deste gênero dentro do streaming no Brasil, que já lançou obras como 'Pedaço de Mim', por exemplo.

Agora, Marieta, Alice Wegmann e Nanda Costa surgem como as artistas principais em cena. Enquanto as duas primeiras interpretam mãe e filha, Lúcia e Maíra Rosseti, Nanda surge como Irina.

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A série conta a história da colecionadora de arte Lúcia Rossetti, que vive uma relação problemática com a filha, Maíra, mas se vê desnorteada ao descobrir uma doença grave nela. Em meio ao luxo da elite carioca, elas precisam lidar com a transformação de tudo que conhecem quando recorrem à terapeuta espiritual Irina, ficando imersas em um cenário repleto de desconfiança.

Nomes fortes da teledramaturgia brasileira, as três atrizes acreditam que o renome dos artistas do país no gênero do melodrama acarreta, de uma forma ou outra, em uma expectativa a cada nova produção. 

"Acho lindo, porque me lembro de quando eu via cinema americano, há milênios atrás, e via aquela criança que já sabia interpretar. Eu falava: 'Gente, eles já nascem sabendo, olha só'. E nós já temos isso. São gerações formadas dentro da teledramaturgia, nós nos desenvolvemos em todo sentido de roteiro, de maneira de contar história, de excelência, de atores, de atrizes, de tudo. Qualquer coisa que a gente faça nesse sentido vai beber muito dessa nossa sabedoria", completou Marieta. 

Os novos projetos que também bebem dessa fonte são diversos. 'Pedaço de Mim', lançada em 2024, está entre eles e virou sucesso em diversos países por meio da plataforma da Netflix.

Alice Wegmann acredita em um certo "desafio" para experimentar esses novos formatos, mas, ainda assim, aplicar os ingredientes únicos do Brasil.

Pessoa de cabelos longos e escuros veste blusa branca e cardigan vinho, em pé diante de uma parede com elementos decorativos de bambu e madeira. A imagem tem enquadramento fechado e fundo desfocado.
Legenda: Irina, personagem de Nanda Costa, vira motivo de embate entre mãe e filha.
Foto: Divulgação/Netflix.

"A Netflix trouxe recentemente projetos mais curtos que uma novela, mas mais longos que uma série geralmente é, né? São muitas formas de experimentar o audiovisual. Acho que a gente está conseguindo projetos muito legais, que juntam, como a Marieta falou, toda essa sabedoria. No nosso, por exemplo, temos um diretor que fez muitas novelas", opinou.

Na direção, Mauro Mendonça Filho corrobora do pensamento. "É parte da cultura, um "prime time" no nosso país. Eu mesmo já ganhei prêmios fazendo melodramas, então, é muito sagaz, o brasileiro gosta, faz parte da gente, não tem nada de errado. Um Almodóvar, tremendo de um cineasta, sempre foi em cima do melodrama. Para mim, é super possível apostar nisso", reforça. 

Série aposta no misticismo

Além de apostar no melodrama, a série também faz uso de algo tão caro ao perfil nacional: o misticismo. A história envolve uma série de questões de fé que mobilizam os acontecimentos — estes, inclusive, surpreendem o espectador a todo episódio.

"Muito bom esse tema de usar a fé para iludir", começou Nanda Costa ao lembrar sobre uma das características centrais da produção. "É uma que está pairando muito aí no ar e existe muito. A gente está vendo muito isso, de você viver realmente a fé e usar essa fé para criar situações, provocar crenças que não são verdadeiras. Acho um momento legal para colocar isso".

Alice vê no assunto algo também íntimo do brasileiro. "Uma das coisas mais bonitas do Brasil é justamente a fé. A fé em várias coisas. Eu, como muitos brasileiros, gosto da mistura, desse atravessamento, encantamento com o mistério, com o esotérico. Sempre foi um assunto que me ajudou na vida", pontuou.

Na história, ela surge como um meio para algo maior e promete, sem dúvidas, deixar muitos de queixo caído com o desfecho da trama. 

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