A atriz Sabine Boghici, que morreu nesta quinta-feira (14) aos 49 anos, deixou toda sua herança para o filho adotivo de sua esposa, Rosa Stanesco Nicolau. A informação foi divulgada pela Folha de S. Paulo.
Sabine e Rosa se casaram em agosto de 2022, pouco após serem presas por envolvimento em um golpe contra a mãe da atriz. As duas tentaram enganar a francesa Geneviève Rose Coll Boghici, em um golpe de cerca de R$ 720 milhões.
Em março deste ano, a Justiça concedeu liberdade provisória para Sabine por avaliar que ela não era uma pessoa de alta periculosidade. Rose permanece presa e foi informada sobre a morte da esposa na penitenciária.
Sabine é herdeira um dos principais colecionadores de obras de arte do Brasil. A herança deixada para Geneviève, Sabine e outra filha é avaliada em R$ 1 bilhão.
A atriz morreu ao cair do 5º andar de um prédio na Zona Sul do Rio de Janeiro, na tarde dessa quinta-feira (14). Ela foi socorrida pelos bombeiros e levada para o Hospital Municipal Miguel Couto em estado gravíssimo, mas, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, não resistiu aos ferimentos. A Polícia Civil investiga o caso.
Falsa vidente
Geneviève foi enganada por uma falsa vidente, que alertou sobre a morte eminente da filha. Em seguida, a suposta profeta levou a idosa até duas comparsas, apresentadas como sendo cartomante e mãe de santo. A dupla confirmou a previsão e disse que seria necessário pagar por um 'trabalho' para salvar Sabine.
A vítima ficou assustada e decidiu contar o acontecido para a filha, que fingiu surpresa e insistiu que a mãe pagasse pelo procedimento. Em um intervalo de 15 dias, a idosa efetuou diversos pagamentos, que somaram R$ 5 milhões.
No início do suposto "tratamento", a filha passou a isolar a mãe em casa, dispensando os funcionários do local. Em fevereiro, a idosa começou a desconfiar da relação entre a herdeira e as videntes e parou de realizar os repasses. Com o fim dos pagamentos, segundo a investigação, a atriz passou a agredir e ameaçar a própria mãe.
Obras de artes roubadas
Geneviève era casada com um colecionador e negociador de arte. Após a morte do esposo, ela herdou as obras. Ao todo, 16 quadros de seu acervo foram roubados e vendidos para galerias de arte.
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, um dos estabelecimentos, que fica em São Paulo, comprou três das obras com valor estimado em R$ 300 milhões. O trio foi recuperado. Pelo menos outras dez foram revendidas para o Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (Malba), na Argentina.
O dono da galeria paulista declarou à Polícia que não desconfiou que os quadros fossem roubados, pois, segundo ele, conhecia a família e disse ter recebido os objetos da própria filha da idosa.
Na ocasião, a idosa estimou que somente os itens plásticos representaram um prejuízo de R$ 709 milhões. Segundo a Polícia, também foram roubados R$ 6 milhões em joias, além dos R$ 5 milhões pelo "trabalho espiritual" e mais R$ 4 milhões transferidos sob ameaça.