A Justiça do Ceará decidiu pronunciar, ou seja, levar a júri popular, três acusados por uma tentativa de chacina no Barroso, em Fortaleza. Dois denunciados são apontados pelas autoridades como líderes locais da facção cearense 'Massa'/Tudo Neutro (TDN).
Duas pessoas morreram e outras três ficaram feridas no ataque premeditado, executado em retaliação a uma morte na noite anterior. Um dos sobreviventes estava com a filha bebê no colo, andando na rua, quando foi alvejado a tiros.
Devem sentar no banco dos réus: Jefferson Lopes; Germano Targino de Lima, o 'Pezinho'; e Leandro Coelho de Sousa, o 'Siri'. Ainda não há data prevista para o júri acontecer.
Logo após a sentença de pronúncia, as defesas dos acusados interpuseram recursos alegando "fragilidade dos indícios de autoria".
No último dia 24 deste mês, o Colegiado dos Promotores de Justiça atuantes na 6ª Vara do Júri de Fortaleza requereu o improvimento dos recursos, pedindo que a decisão de pronúncia seja mantida em sua totalidade.
Agora, o caso deve seguir para o 2º Grau do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE). As defesas dos réus não foram localizadas pela reportagem.
ORDEM PARA MATAR
No dia 15 de novembro de 2024, por volta das 21h30, Germano e Leandro, apontados como supostos líderes de uma célula local da facção Massa/Tudo Neutro, teriam determinado que Jeferson e outros homens executassem ataques.
A ordem seria em retaliação à morte de Irlan Pereira de Souza, o 'Apocalipse', "também integrante da referida organização criminosa, ocorrida no dia anterior, em 14 de novembro de 2024, supostamente por ação de membros do Comando Vermelho (CV)".
De acordo com a acusação, o principal alvo da ação criminosa era Adriel Batista da Silva, o 'Biel', "bem como quaisquer outros indivíduos que estivessem no local".
No dia do crime foram assassinados Adriel Batista e Antônio Ednilton de Oliveira. Além deles, outros dois homens e uma mulher ficaram feridos e foram socorridos a unidades hospitalares.
"A investigação apurou que a motivação do crime seria uma disputa territorial entre facções criminosas. O atentado foi planejado como uma retaliação pelo homicídio de Irlan Pereira de Souza, conhecido como 'Apocalipse', que supostamente integrava a facção 'Massa'. O autor da morte de 'Apocalipse' teria recebido apoio no Conjunto João Paulo II, área dominada pela facção Comando Vermelho (CV). Adriel Batista da Silva, apelidado de 'Biel' era um dos principais alvos da ação por ter ligação com o grupo rival"
CRIME DIVULGADO NAS REDES SOCIAIS
Testemunhas indicaram que Jeferson foi um dos executores.
Em setembro do ano passado, os juízes da 6ª Vara do Júri receberam a denúncia e destacaram que "Jeferson não apenas cumpriu a ordem dada, como chegou a publicar em redes sociais (Instagram) conteúdos comemorando a morte da vítima (Biel), os quais foram em seguida apagados".
Para os juízes, a conduta reforçou a "imputação de autoria a ele atribuída".
Na sentença de pronúncia, os magistrados destacaram que os elementos apontam "que os fatos investigados teriam ocorrido em contexto de rivalidade entre facções criminosas rivais, havendo referências à atuação da organização criminosa Massa Carcerária na localidade, bem como à vinculação dos acusados ao referido grupo criminoso".
"Conforme apurado durante a investigação, a empreitada criminosa teria sido executada mediante atuação coordenada de múltiplos agentes, com utilização de duas motocicletas e veículo de apoio, circunstâncias que, em juízo de admissibilidade, revelam indícios de atuação estruturada e divisão de tarefas compatíveis, em tese, com a prática do delito de organização criminosa armada".
Os juízes acreditam que há indícios suficientes indicando a autoria do trio e que agora cabe ao Conselho de Sentença julgar os acusados.
A eles são atribuídas as qualificadoras de que as mortes aconteceram por motivo torpe, uso de recurso que dificultou as defesas das vítimas e utilização de arma de fogo de uso restrito.