Entre sequestros, assaltos e fugas de unidades prisionais, Francisco Fabiano da Silva Aquino, o 'Fabinho da Pavuna', carrega ficha criminal extensa. Há 15 anos, um ataque cinematográfico no Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira II (IPPOO II), localizado na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), também foi atribuído a Fabiano.
Em plena 'luz do dia' de 10 de fevereiro de 2011, por volta das 13h30, uma quadrilha disparou tiros de fuzil contra policiais militares que estavam na muralha da unidade prisional, enquanto detentos rendiam agentes dentro do prédio. 10 homens foram resgatados de dentro do presídio.
Dentre eles, o sequestrador e assaltante de bancos e carros-fortes, Alexandre de Sousa Ribeiro, o 'Alex Gardenal', à época considerado como um dos criminosos mais perigosos do Estado e apontado como 'braço-direito' de Fabinho no 'mundo do crime'.
Naquele mesmo dia também escaparam do IPPOO II três envolvidos no furto ao Banco Central, crime ocorrido em Fortaleza, em agosto de 2005: Edésio Batista das Neves Sobrinho, Fernando Carvalho Pereira e Marcos Rogério Machado de Morais, o 'Rogério Bocão'.
O resgate seria uma promessa pessoal de 'Fabinho da Pavuna' feita a Alex Gardenal.
Entre os dois existiria um pacto para que um resgatasse o outro sempre quando o parceiro estivesse preso e o outro em liberdade. Foi assim que aconteceu no dia 14 de dezembro de 2005, quando 'Gardenal' comandou o resgate de 'Fabinho' quando este era levado da cadeia para uma audiência no Fórum de Maracanaú.
Uma década e meia após o ataque, Francisco Fabiano, ainda considerado como um "preso de alto nível de segurança" pede à Justiça que o autorize a sair da unidade de Segurança Máxima para trabalhar.
O pedido foi negado, por unanimidade, pelos desembargadores da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).
Conforme a advogada Erbênia Rodrigues, há um ano, Francisco Fabiano progrediu do regime fechado para o regime semiaberto, mas segue na Segurança Máxima de forma ilegal, já que no Ceará não há unidade voltada para o semiaberto.
“Ele preenche todos os requisitos, como o de bom comportamento, e é um direito previsto na Lei de Execução Penal”, diz a defesa, que entrou com embargos de declaração afirmando que o preso tem boa conduta.
SEQUESTROS
Francisco Fabiano da Silva Aquino ganhou notoriedade nos anos 2000 e 2010 como um dos principais líderes de uma quadrilha especializada em extorsão mediante sequestro e resgate de detentos, atuando frequentemente ao lado de comparsas como Alexandre de Sousa Ribeiro, o "Alex Gardenal".
Em março deste ano, 'Pavuna' e 'Alex Gardenal' foram condenados pelo sequestro de uma empresária, em Fortaleza, ocorrido em 2006.
O Diário do Nordeste teve acesso à sentença, na qual a dupla recebeu, cada, pena de 16 anos de prisão.
As defesas entraram com recurso. O Ministério Público do Ceará (MPCE) se posicionou para manter a condenação proferida na 3ª Vara Criminal, e agora o caso tramita em 2º Grau.
O crime aconteceu no dia 24 de maio de 2006, por volta das 20h. A vítima saía de uma academia no bairro Montese, quando foi surpreendida pela dupla armada.
"A vítima foi conduzida a cativeiro e seus familiares foram contactados para que não acionassem a polícia nem a imprensa".
A vítima foi liberada no dia 12 de junho de 2006. Outros acusados pelo crime morreram no decorrer do processo e tiveram extinta a punibilidade.
CÉLULAS ESCANEADAS E CARRO COMPRADO EM FEIRA
Os investigadores chegaram até 'Fabinho da Pavuna' e 'Alex Gardenal' a partir da apreensão de R$ 25 mil.
Na época, a Polícia Civil orientou a família da vítima a escanearem as cédulas antes da entrega, "com registro do número de série, ano de emissão e demais características de cada nota".
Policiais civis apreenderam parte do dinheiro em poder de Francisco Fabiano da Silva Aquino e Alexandro de Sousa Ribeiro, "sendo que as cédulas apreendidas eram as mesmas que haviam sido entregues aos sequestradores, fato verificado pelo cotejo com os registros realizados previamente à entrega".
O segundo elemento que reforça, em especial, a participação de 'Fabinho' no crime é que o carro usado no sequestro foi comprado na Feira da Parangaba, em uma negociação com a participação do próprio sequestrador.
O crime foi elucidado pela Divisão Anti-Sequestro (DAS), à época chefiada pelo delegado Jaime Paula Pessoa Linhares.
Para o Judiciário, as provas não se tratam de "mera coincidência ou indício isolado", mas sim algo que demonstrou vínculo direto dos acusados com a empreitada criminosa.