Nas eleições de 2026, Cid Gomes (PSB) conseguiu um feito inédito: ser o primeiro senador reeleito do Ceará, desde que a reeleição foi criada na década de 1990.
Com quase 3 milhões de votos válidos em 97,93% de urnas apuradas, o equivalente a 31,11% do total, ele foi, também, o candidato mais bem votado no Estado, superando a aliada, Luizianne Lins (Rede), que ficou com a segunda vaga do Ceará no Senado, e os oponentes Capitão Wagner (União) e Alcides Fernandes (PL).
Relembre a trajetória do político
Antes de chegar ao Senado Federal, Cid Gomes havia iniciado na vida pública em uma disputa municipal em Sobral, seu berço político.
No final da década de 1980, ele foi candidato a vice-prefeito de Sobral na eleição de 1988, mas a chapa acabou sendo derrotada. Dois anos depois, ele voltou a concorrer na disputa eleitoral, mas dessa vez a uma cadeira na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece).
Ele foi reeleito para o cargo em 1994 e, após assumir para o segundo mandato, foi escolhido por unanimidade para ser presidente da Casa. À época, ele tinha 32 anos e foi o parlamentar mais jovem a assumir o cargo.
Em 1996, voltou a disputar a eleição em Sobral e foi eleito como prefeito da cidade, cargo que exerceria durante 8 anos. Na época, como gestor municipal, conseguiu unir um amplo arco de alianças, indo desde o PSDB, do então governador Tasso Jereissati (PSDB), até o PT.
Também foi durante a gestão de Cid Gomes em Sobral que começaram a ser desenvolvidas políticas públicas na Educação que transformaram a cidade em referência na área, e que acabaram sendo ampliadas para todo o estado.
Dez anos depois de ser eleito em Sobral, Cid Gomes disputou o Governo do Ceará contra o então governador Lúcio Alcântara, que era do PSDB. Ele repetiu, a nível estadual, boa parte da aliança que o levou à Prefeitura de Sobral e contando, inclusive, com a ausência da participação de Tasso Jereissati na campanha tucana.
Cid Gomes foi governador por oito anos e elegeu o aliado Camilo Santana (PT) como sucessor em 2014. Em 2015, foi convidado para assumir o Ministério da Educação no Governo Dilma Rousseff (PT) — cargo em que permaneceria por apenas 3 meses.
O parlamentar conquistou uma vaga no Senado Federal em 2018, quando ainda era filiado ao PDT, sendo o mais bem votado da história do Ceará até aquele ano.
Pressão por candidatura a reeleição
Cid Gomes afirmou, mais de uma vez, que não seria candidato a reeleição ao Senado Federal. Ele passou, ainda em 2025, a defender o deputado federal Júnior Mano (PSB) para a candidatura a senador, caso o PSB viesse a escolher o nome para compor a chapa.
“Eu tenho com ele um compromisso pessoal de defender o nome dele numa vaga majoritária que o PSB eventualmente venha a ter”, afirmou em março de 2026. “Isso não está escrito nas estrelas. Política é uma correlação de forças”.
Envolvido em investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), Júnior Mano era um nome que sofria resistências na base governista. Muitas lideranças passaram a defender o nome de Cid Gomes como candidato à reeleição, entre eles o senador Camilo Santana (PT). Correligionários de Cid, entre os quais deputados estaduais e federais, também tentaram convencer Cid a voltar atrás na decisão de não concorrer ao Senado em 2026.
Ele passou a admitir a possibilidade de tentar a reeleição apenas em maio deste ano. A candidatura foi confirmada apenas em julho, durante reunião em Brasília com a presença do presidente Lula (PT). Também estavam presentes o governador Elmano de Freitas, Camilo Santana e Júnior Mano.
"Eu relatei para o Lula que não pensava mais em ser candidato porque tinha focado minha estratégia na preparação de quadros para deputado federal e estadual; que o Junior Mano tinha sido uma pessoa importante para isso, para a situação que o PSB está hoje no Ceará; e que eu tinha assumido com ele esse compromisso. Então, ele (Lula) fez um apelo ao Junior para que o meu nome, no entendimento dele, reforçasse mais a chapa".
Cid Gomes havia falado anteriormente que uma eventual candidatura dele dependeria do aceite de Junior Mano. Na época, Cid afirmou que Lula “fez um apelo ao Junior para que o meu nome, no entendimento dele, reforçasse mais a chapa. Júnior Mano aceitou e foi então sugerido que ele ficasse na 1ª suplência”.
Durante a campanha eleitoral, Cid Gomes negou qualquer tipo de acordo de renúncia para que a vaga no Senado ficasse com Júnior Mano e reforçou que seria "um crápula" caso tomasse tal decisão.
Ruptura com Ciro Gomes
A candidatura de Cid Gomes ao Senado Federal confirmou uma situação inédita: a primeira vez em que ele e o irmão Ciro Gomes estariam em chapas opostas desde que iniciaram na vida pública, no final da década de 1980.
A ruptura entre os dois irmãos, ocorrida em 2022, acabou sendo um tema de destaque durante toda a campanha eleitoral. O atrito entre os irmãos e a narrativa sobre quem teria sido o "traidor" foi constantemente trazida à tona.
Ciro evitou falar sobre a desavença com Cid, mas os aliados do tucano trouxeram o assunto à tona diversas vezes, falando sobre traição e até insinuando que o senador deveria estar ao lado do irmão nessa disputa eleitoral.
Já Cid, ao falar sobre o conflito com Ciro, sempre tem defendido que está "do mesmo lado" que sempre esteve na política, argumentando que quem mudou de posicionamento político foi o irmão.
"Eu estou do mesmo lado, que eu considero o lado certo. Ele mudou de lado, foi se juntar a bolsonaristas e a lideranças que sempre foram raivosos, odientos em relação às nossas gestões aqui no estado de Ceará", disse Cid Gomes durante a sabatina PontoPoder.
A ruptura familiar não ficou restrita aos dois: a disputa eleitoral de 2026 acabou dividindo todos os irmãos Ferreira Gomes entre as duas chapas. Ao lado de Cid, ficou a deputada estadual Lia Gomes, enquanto ao lado de Ciro ficaram Lúcio Gomes, candidato a suplente de senador, e o ex-prefeito de Sobral, Ivo Gomes.
Propostas para o Senado Federal
Entre as propostas para um novo mandato como senador, Cid Gomes reforçou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de sua autoria em que fica estabelecido que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) será responsável por fiscalizar o STF.
Durante a Sabatina PontoPoder, Cid disse que o Supremo precisa ser “refundado”, principalmente com a possibilidade de órgãos e mecanismos de fiscalização. Ele também afirmou que o impeachment pode ser uma possibilidade, caso a própria Corte não resolve recentes escândalos envolvendo ministros.
No tema da segurança pública, Cid defende a atuação do governo federal como forma de combate efetivo às organizações criminosas. Ele citou a necessidade de aumento do efetivo da Polícia Federal, com foco em inteligência e na prisão dos líderes das organizações.
Relator do projeto de lei que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), Cid também defendeu durante a campanha a instalação de empreendimentos desse tipo, principalmente no Ceará. Para ele, a instalação de infraestruturas fez com que o Ceará conseguisse "concorrer com esses vários lugares que estavam pleiteando o data center da TikTok e ganhar", exemplificou. "É um feito extraordinário para o estado do Ceará".
Outros temas que foram citados como prioridade por Cid Gomes ao longo da campanha foram a Educação, em que ele defendeu a ampliação do tempo integral e do acesso à universidade, e a Saúde, em que reforçou a regionalização das unidades de atendimento.