Após cerca de dez anos de carreira policial, Huggo Leonardo de Lima Anastácio será candidato a governador do Ceará nas eleições de 2026. Conhecido como Delegado Huggo, ele terá como vice na chapa majoritária o correligionário Felipe Moreira. A homologação da candidatura aconteceu na última quinta-feira (23), em convenção partidária virtual.
Esta é a primeira vez em que ele se candidata a cargo eletivo, coincidindo com a estreia do Missão, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em novembro de 2025, em eleições. Inicialmente, Delegado Huggo concorreria ao Senado, mas a estratégia mudou a convite de Renan Santos, candidato do Missão ao Planalto.
A postulação foi anunciada em maio deste ano, no mesmo mês em que Huggo foi afastado preventivamente da Polícia Civil do Ceará. A Controladoria-Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) instaurou processo administrativo disciplinar contra o policial, sem detalhar procedimentos nem motivações no Diário Oficial do Estado (DOE).
Partido político e número
Delegado Huggo é filiado ao Missão desde o começo de 2026. Seu número de urna é 14.
Quem é Delegado Huggo
O candidato do Missão ao Poder Executivo Estadual tem 37 anos, é casado e pai de dois filhos. É natural de Fortaleza, mais especificamente do bairro Vicente Pizón, onde nasceu e cresceu.
Em 2017, concluiu a graduação em Direito e já engatou uma especialização em Direito Processual Civil, finalizada no ano seguinte. Tem experiências profissionais como policial militar, técnico judiciário e assessor no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), entre 2015 e 2018.
Deixou o último cargo para assumir a função de delegado da Polícia Civil, despachando pela Delegacia Regional de Aracati, pela Delegacia Metropolitana de Caucaia (da qual foi titular) e pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), onde exerceu a função de delegado adjunto.
Na corporação, ele se envolveu em algumas polêmicas. Exemplo disso foi a abertura de um inquérito, em 2021, para apurar suposto crime de desacato contra membros do Ministério Público do Ceará (MPCE). O delegado teria enviado ofício a promotores e a representantes do Poder Judiciário do Ceará reclamando de pareceres e despachos com termos ofensivos em relação a ele.
Os documentos usavam os termos "desaforados", "omisso" e "desidioso" para se referir a Huggo. O policial afirmou, em ofício, que "não existe só corregedoria para Delegado, também existe para Promotor de Justiça e Juiz desrespeitoso e deselegante".
Outra polêmica relacionada a Huggo foi a judicialização de um conflito que ele teve com uma casa de show em Fortaleza, devido ao delegado ter sido impedido de entrar armado no estabelecimento, em 2020. Ele chegou a apresentar uma ação com pedido de indenização por danos morais.