Torcedor do Fortaleza coloca número 47 em documentos como homenagem a Cassiano
Oliveira Santos é apaixonado pelo clube e já viralizou com tatuagem de taça na Copa Sul-Americana
Uma final histórica, eternizada para sempre com um gol aos 47 minutos do 2º tempo. A breve descrição é suficiente para desenhar na memória um fato marcante do futebol cearense: o gol do atacante Cassiano que definiu o título estadual no Clássico-Rei de 2015. O enredo épico reverbera até hoje entre os tricolores e, mesmo passado uma década, há quem ainda vivenciei esse momento, inclusive na pele e até no nome. E essa é a “loucura de amor” do militar aposentado Oliveira Santos.
Com uma paixão desmedida pela equipe, que é sintetizada por toda a emoção que sentiu na Arena Castelão durante o jogo, ele resolveu mudar todos os documentos para acrescentar o “47” no próprio nome. Uma alusão ao herói da finalíssima do dia 3 de maio, que completa 11 anos no próximo domingo (3).
"Aquele gol representa a maior emoção da minha vida, mais até que o nascimento dos meus dois filhos, porque o nascimento é uma graça de Deus, e dele eu espero tudo, mas o homem aqui da Terra, fazer o que o Cassiano fez, aos 47, é uma coisa que não tem como medir essa emoção. Eu tirei todos os documentos e coloquei o ‘47’ na minha assinatura”, afirmou ao Sistema Verdes Mares.
Segundo Oliveira, muitos só acreditam ao ver a própria assinatura, que também virou uma tatuagem.
“Mudei todos os documentos, o passaporte, minha carteira de trabalho, carteira civil, de motorista, todos os documentos tem o 47. O pessoal não acredita, mas inclusive está tatuado no meu braço. Eu tenho aqui a minha assinatura, (número) do Cassiano, as cinco estrelas do penta de verdade e aqui o que eu sinto: ‘é inexplicável o sentimento que eu tenho pelo Fortaleza Esporte Clube”.
As estrelas são alusão ao pentacampeonato cearense conquistado pelo Leão entre 2019 e 2023. Apesar disso, o 47 é que foi adotado, a dádiva de sorte que deve acompanhá-lo até o fim da vida.
“Eu pensei em colocar o nome completo dele (Cassiano) na minha assinatura, mas coloquei o 47, que todo mundo sabe o que é. No meu caixão, eu quero que bote bem grande ‘47’ no meu caixão. É fantástico eu lembrar do número 47, pois é doloroso para o nosso rival (Ceará), e glorioso para a nação do Fortaleza, pois o único penta de verdade é mesmo o do Fortaleza”, disse para a reportagem.
A obsessão por esse momento reside viva na casa e nos objetos pessoais do militar, que sempre faz menção ao clube e ao jogador. No entanto, ainda falta uma etapa na transformação desse sonho, que é um encontro com o próprio Cassiano. Atualmente com 36 anos, o centroavante joga pelo Casa Pia, de Portugal, onde tem seis gols em 33 jogos. No Fortaleza, foram quatro tentos em 21 partidas.
Tatuagem da Sul-Americana
O acréscimo do número 47 na assinatura dos documentos não é a primeira demonstração de afeto inimaginável de Oliveira. Em 2023, o militar viralizou nas redes sociais ao marcar presença na cidade de Punta Del Este, no Uruguai, para assistir a final da Copa Sul-Americana entre Fortaleza x LDU, e exibir uma tatuagem para celebrar o momento: a taça de campeão com o mapa da América do Sul.
Na ocasião, o time foi vice-campeão. O desenho então segue no braço como lembrança do marco, tido como um dos grandes feitos da história do clube, muito simbólico também para o pai do militar.
“Meu pai é o meu maior ídolo. Ele era soldado da polícia e, na década de 70, eles entravam de graça nos jogos. Devido ao ordenado ser pouco, o meu pai vestia a farda da Polícia Militar, e ia cedinho comigo ao quartel para depois me levar ao PV. Ele teve Alzheimer, esqueceu de todo mundo, mas só não esqueceu do Fortaleza. Às vezes eu chegava para falar, pedia a benção, e ele respondia que era o pai dele, aí para fazer ele lembrar, eu falava: 'o senhor é torcedor do Ceará?. E ele: ‘arriégua’. Então ele nunca esqueceu o Fortaleza, esqueceu minha mãe, eu, mas não o Fortaleza”, relembrou.
Logo, lembrar do Fortaleza é caminhar pela família. E nesse universo, o tamanho do amor é infinito.